A aferição da concentração inspirada de oxigênio em pacientes que recebem anestesia geral é mandatória e muito útil para evitar a administração inadvertida de uma mistura de gases hipóxicos. Essa aferição, entretanto, não é garantia de
- A)manutenção de SaO2 maior que 98%.
Errada, porque uma FiO2 medida não garante SaO2 acima de 98%, já que a saturação depende da oxigenação arterial e da curva de dissociação da hemoglobina.
- B)volume minuto adequado.
Errada, porque a concentração inspirada de oxigênio não informa se o volume minuto está adequado, que depende de ventilação e frequência respiratória.
- C)oxigenação arterial adequada.
Certa, porque uma FiO2 adequada não assegura por si só oxigenação arterial adequada, que também depende de troca gasosa e perfusão pulmonar.
- D)absorção adequada do CO2.
Errada, porque absorção adequada de CO2 está relacionada à ventilação alveolar e eliminação de CO2, não à simples medida da FiO2 inspirada.
- E)nível de capnometria adequada.
Errada, porque capnometria adequada avalia CO2 expirado e ventilação, e isso não é garantido pela aferição da concentração inspirada de oxigênio.
Gabarito: C
Na anestesia geral, medir a FiO2 inspirada é obrigatório porque ajuda a evitar que o paciente receba uma mistura de gases pobre em oxigênio. Isso é uma segurança básica do circuito anestésico: você confere o que está entrando, mas isso não diz tudo sobre o que está acontecendo no organismo. Em outras palavras, saber a concentração inspirada é importante, mas não transforma automaticamente o paciente em um submarino oxigenado por dentro. O ponto central da questão é que a aferição da concentração inspirada de oxigênio não garante oxigenação arterial adequada. A oxigenação do sangue depende também de ventilação alveolar, relação ventilação/perfusão, presença de shunt, função pulmonar e até da hemodinâmica. Então, mesmo com FiO2 adequada, a PaO2 e a SaO2 podem estar ruins por problemas de troca gasosa. Por isso, parâmetros como capnometria e análise da ventilação mostram se o CO2 está sendo eliminado de forma satisfatória, mas também não substituem a avaliação da oxigenação. De modo parecido, um volume minuto adequado não garante sozinho boa oxigenação, porque ventilação sem troca gasosa eficiente não resolve tudo. A banca gosta dessa diferença entre "o que entra" e "o que realmente chega ao sangue". Logo, o gabarito é a alternativa C: a medida da concentração inspirada de oxigênio não assegura oxigenação arterial adequada. Esse é o raciocínio clássico em anestesiologia: monitorar FiO2 é necessário, mas a oxigenação arterial depende de mais variáveis do que apenas a fração inspirada de oxigênio.