Em relação ao tratamento das doenças desmielinizantes, avalie as afirmativas a seguir. I. Pacientes em uso de natalizumab não correm o risco de desenvolver leucoencefalopatia multifocal progressiva mesmo aqueles que apresentem anticorpos contra o vírus JVC. II. Um potencial efeito colateral do fingolimode é a bradicardia. III. O alentuzumab é anticorpo monoclonal, que se liga especificamente à glicoproteína celular CD52, um antígeno de superfície celular presente em níveis elevados nos linfócitos T e B, promovendo citólise celular e lise mediada por complemento. Está correto o que se afirma em
- A)II, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a bradicardia do fingolimode estaria correta. De fato, a assertiva II está certa, porque o fingolimode pode causar bradicardia, especialmente no início do tratamento. O problema é que a III também está correta, já que o alemtuzumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD52 que depleta linfócitos T e B por citólise e lise mediada por complemento.
- B)I e II, apenas.
A opção afirma que as assertivas I e II seriam as únicas corretas. A II procede, pois a bradicardia é um efeito adverso conhecido do fingolimode, mas a I falha ao negar o risco de leucoencefalopatia multifocal progressiva com natalizumabe. Na prática, a presença de anticorpos anti-JCV é justamente um fator de risco importante para PML em pacientes em uso de natalizumabe.
- C)I e III, apenas.
Aqui se diz que apenas I e III estariam certas. A III realmente descreve o alemtuzumabe, um anticorpo monoclonal anti-CD52 que atua sobre linfócitos T e B, promovendo citólise e lise mediada por complemento. Porém a I está errada, porque o natalizumabe não elimina o risco de PML, e a positividade para anticorpos anti-JCV aumenta esse risco; além disso, a II também é verdadeira por causa da bradicardia com fingolimode.
- D)II e III, apenas.
A alternativa reúne as assertivas II e III, que são as corretas. O fingolimode pode causar bradicardia, sobretudo no início do uso, e o alemtuzumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD52 que leva à depleção de linfócitos T e B por citólise e complemento. Já a I está errada, porque o natalizumabe está associado a PML, com risco maior em pacientes com anticorpos anti-JCV.
- E)I, II e III.
A opção marca como verdadeiras as três assertivas. Embora II e III estejam de acordo com a farmacologia dos imunomoduladores, a I contraria um ponto central de segurança do natalizumabe: ele pode, sim, estar associado à leucoencefalopatia multifocal progressiva. Esse risco é particularmente relevante em pacientes soropositivos para JCV, de modo que não é possível aceitar o conjunto integral proposto.
Gabarito: D
O tratamento das doenças desmielinizantes, especialmente na esclerose múltipla, envolve drogas imunomoduladoras e imunossupressoras que exigem atenção aos efeitos adversos. A banca gosta de cobrar justamente isso: mais do que decorar o nome do remédio, voce precisa lembrar o que cada um faz e qual risco ele traz no dia a dia. O natalizumab é eficaz, mas tem um ponto de alerta importante: ele aumenta o risco de leucoencefalopatia multifocal progressiva (LMP), causada pelo vírus JC. Esse risco é maior em pacientes com anticorpos positivos para o vírus e com tempo prolongado de uso, então a afirmativa I está errada. Dizer que não há risco mesmo com anticorpos é exatamente o tipo de exagero que a banca adora colocar. Já o fingolimode pode causar bradicardia, sobretudo no início do tratamento, por efeito sobre receptores de esfingosina-1-fosfato. Então a afirmativa II está correta. Na prática, por isso costuma haver monitorização clínica e, em alguns casos, eletrocardiográfica na primeira dose. O alemtuzumab também está bem descrito: é um anticorpo monoclonal anti-CD52, expresso em linfócitos T e B, levando à depleção dessas células por citólise e complemento. Assim, a afirmativa III está correta. Logo, o gabarito é D, porque apenas as afirmativas II e III estão certas.