Uma paciente com gestação gemelar de 37 semanas procura uma maternidade em trabalho de parto inicial. Ao exame, é identificado o primeiro feto em apresentação pélvica e com peso estimado de 2800g e o segundo em apresentação cefálica com peso estimado de 3200g. Nesse caso, a melhor via de parto é:
- A)parto normal após versão externa do primeiro feto;
Errada, porque a versão externa do primeiro feto não é a conduta rotineira nessa situação e, com o primeiro gemelar pélvico no termo, a via mais segura tende a ser a cesárea.
- B)parto normal para o primeiro e cesariana para o outro;
Errada, porque não se indica parto vaginal do primeiro e cesariana do segundo como estratégia de rotina; a decisão da via de parto é definida antes, e o primeiro feto pélvico já pesa contra o parto vaginal.
- C)parto normal para ambos os fetos;
Errada, porque parto vaginal para ambos exige, em regra, primeiro gemelar em apresentação cefálica e critérios obstétricos favoráveis, o que não acontece aqui.
- D)cesariana para ambos os fetos;
Certa, porque o primeiro feto está em apresentação pélvica, situação em que a cesariana é a via mais segura e mais aceita como conduta padrão no termo.
- E)cesariana para o primeiro feto e parto normal para o outro.
Errada, porque não se faz cesariana apenas para o primeiro e parto vaginal para o outro; a via de parto é escolhida para a gestação como um todo, e não separadamente para cada feto.
Gabarito: D
Na gestação gemelar, a via de parto depende muito da apresentação do primeiro feto, porque ele é quem dita o “caminho da saída” e condiciona a segurança do parto vaginal. Em geral, quando o primeiro gemelar está cefálico e não há contraindicações, pode-se planejar parto vaginal. Já quando o primeiro feto está em apresentação pélvica, a tendência é indicar cesariana, especialmente no termo. Aqui, o primeiro feto está pélvico, com 2800 g, e o segundo está cefálico, com 3200 g. Isso já acende o alerta: o feto que vai nascer primeiro não está na posição mais favorável, e ainda há um segundo gemelar maior, o que aumenta a chance de intercorrências no parto vaginal, como retenção do segundo feto, sofrimento fetal e necessidade de manobras intraparto. Por isso, a melhor conduta é a cesariana para ambos os fetos. Em gestação gemelar com o primeiro gemelar não cefálico, a via abdominal costuma ser a escolha mais segura. Não é caso de tentar versão externa do primeiro gemelar como estratégia de rotina no trabalho de parto, porque isso não é a conduta padrão nessa situação. Em prova, guarde a lógica prática: primeiro gemelar cefálico favorece parto vaginal; primeiro gemelar pélvico puxa a balança para cesariana. A banca FGV gosta de testar exatamente essa regra básica com um detalhe de apresentação fetal para tentar confundir você.