Considere as seguintes assertivas sobre o dímero-D: I. Para pacientes com baixa probabilidade pré-teste de tromboembolismo pulmonar ou de dissecção aguda de aorta, o resultado negativo desse exame descarta esses diagnósticos. II. É um exame de alta especificidade e de elevado valor preditivo positivo. III. Pacientes com COVID-19 e com resultado positivo desse exame devem receber anticoagulação plena. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Correta, porque em pacientes com baixa probabilidade pré-teste um dímero-D negativo ajuda a excluir TEP e dissecção aguda de aorta.
- B)II, apenas.
Errada, porque o dímero-D tem baixa especificidade e baixo valor preditivo positivo.
- C)III, apenas.
Errada, porque dímero-D positivo na COVID-19 não indica, sozinho, anticoagulação plena.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque a assertiva II está incorreta.
- E)II e III, apenas.
Errada, porque as assertivas II e III estão incorretas.
Gabarito: A
O dímero-D é um produto da degradação da fibrina, então ele sobe quando o organismo formou e depois rompeu coágulos. Por isso, ele é muito útil como exame de triagem, especialmente quando a probabilidade clínica já é baixa ou intermediária. Em outras palavras: ele ajuda mais a afastar trombose do que a confirmar, porque vive sendo positivo em um monte de situações inflamatórias, infecciosas, pós-operatórias, gestação e até na idade avançada. Na prática, se o paciente tem baixa probabilidade pré-teste para tromboembolismo pulmonar ou dissecção aguda de aorta, um dímero-D negativo praticamente exclui esses diagnósticos e evita exames mais agressivos. Esse é o ponto clássico cobrado em prova. Já o contrário não vale: dímero-D positivo sozinho não fecha diagnóstico, porque sua especificidade é baixa. A assertiva II está errada exatamente por isso: o dímero-D não tem alta especificidade nem alto valor preditivo positivo. Ele é um exame sensível, mas pouco específico. A lógica é: se vier normal no cenário certo, tranquiliza; se vier alto, você ainda precisa investigar. Na dissecção de aorta, inclusive, ele pode ajudar a reduzir a chance do diagnóstico, mas nunca substitui a avaliação clínica e a imagem quando a suspeita é relevante. A assertiva III também está errada. Em pacientes com COVID-19, dímero-D elevado é comum e reflete inflamação e atividade trombótica, mas não significa que todo paciente com teste positivo deva receber anticoagulação plena. A decisão depende do quadro clínico, da presença de trombose confirmada e do risco de sangramento. Diretrizes como as da ISTH e recomendações de sociedades científicas não tratam dímero-D isoladamente como indicação automática de dose terapêutica. Assim, o gabarito A fica correto porque apenas a assertiva I está certa.