Um paciente de 53 anos é vítima de um acidente automobilístico e submetido a uma cirurgia para a redução de uma fratura de fêmur. Hoje, 72h de pós-operatório, encontra-se hipoxêmica apesar do suporte de 15L de O2/min e taquipneica com 30 irpm, PA de 110/75 mmHg e FC de 110 bpm. Apresenta um rash em forma de petéquias, encontrando-se no momento confuso, agitado e combativo. A melhor sequência é
- A)anticoagulação com dose máxima de heparina.
Errada: heparina em dose máxima não trata síndrome de embolia gordurosa e ainda pode piorar o risco hemorrágico no pós-operatório recente.
- B)intubação e ventilação seguidas de tomografias de crânio e tórax.
Certa: a prioridade é garantir via aérea e oxigenação com intubação e ventilação, além de investigar com tomografias de crânio e tórax o rebaixamento/confusão e a insuficiência respiratória.
- C)metilpredinisolona em altas doses e ventilação não invasiva.
Errada: corticoide em altas doses e ventilação não invasiva não são a melhor sequência em um paciente confuso, agitado e hipoxêmico grave, que já tem indicação de via aérea definitiva.
- D)ventilação de alto fluxo e Rx de tórax.
Errada: alto fluxo pode ajudar em hipoxemia, mas não resolve sozinho um paciente com desconforto importante e alteração do estado mental, e o Rx de tórax isolado não vem antes da estabilização.
- E)amoxicilina IV.
Errada: amoxicilina IV não tem relação com o quadro, que é pós-traumático/pós-operatório e sugere embolia gordurosa, não infecção bacteriana.
Gabarito: B
O quadro é muito sugestivo de síndrome da embolia gordurosa, que costuma aparecer 24 a 72 horas após fratura de ossos longos, especialmente fêmur, ou após manipulação ortopédica. A tríade clássica é hipoxemia, alteração neurológica e petéquias, e aqui ela veio completa, quase sem pudor: falta oxigênio, confusão/agitação e rash petequial. Em medicina intensiva, isso acende a luz vermelha para suporte ventilatório imediato e investigação de complicações associadas, em vez de sair atirando tratamento específico sem estabilizar o paciente.