Paciente masculino, 55 anos de idade, apresenta fraqueza severa nas pernas. No exame físico, é detectada leve diminuição da sensibilidade e arreflexia profunda. No dia seguinte, o quadro evolui para paraplegia e o paciente apresenta síncope por hipotensão postural. O paciente tem história de infecção viral duas semanas antes. Após exames adicionais, o diagnóstico final foi de síndrome de Guillain-Barré. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.
- A)O diagnóstico está errado porque hipotensão postural não faz parte da síndrome de Guillain-Barré.
Errada, porque a síndrome de Guillain-Barré pode cursar com disfunção autonômica, incluindo hipotensão postural e síncope.
- B)O líquor apresenta aumento de proteínas e leucocitose à custa de linfócitos.
Errada, porque o líquor clássico mostra aumento de proteínas com pouca ou nenhuma pleocitose, e não leucocitose linfocitária.
- C)O diagnóstico clínico é suficiente para o diagnóstico.
Errada, porque o diagnóstico é principalmente clínico, mas costuma ser apoiado por líquor e eletroneuromiografia, especialmente para confirmação e classificação.
- D)Na eletroneuromiografia, o padrão mais comum é desmielinizante no Ocidente.
Certa, porque no Ocidente o padrão mais comum na eletroneuromiografia é a forma desmielinizante aguda.
- E)O caso é curioso porque, no Ocidente, essa doença é mais comum em crianças do sexo feminino.
Errada, porque a síndrome de Guillain-Barré não é mais comum em crianças do sexo feminino; ela pode acometer qualquer faixa etária e há discreto predomínio em adultos.
Gabarito: D
A síndrome de Guillain-Barré é uma polirradiculoneuropatia aguda, geralmente autoimune, que costuma aparecer 1 a 3 semanas após uma infecção, como a viral descrita no caso. O quadro clássico começa com fraqueza ascendente, arreflexia e pode evoluir rápido, em horas ou dias, para tetraparesia ou paralisia respiratória. Também pode haver acometimento autonômico, com oscilação de pressão arterial, arritmias e até hipotensão postural. Ou seja, essa síncope não estranha o diagnóstico, ela combina com ele. No líquor, o achado típico é a chamada dissociação albuminocitológica: proteína aumentada com poucos ou nenhum leucócito. Então, se você viu “proteína alta com muita célula”, desconfie: isso aponta mais para outras causas infecciosas ou inflamatórias. A confirmação costuma ser apoiada por eletroneuromiografia, que ajuda a definir o padrão e a gravidade, já que o diagnóstico não é feito só no olho clínico, embora a suspeita clínica seja fundamental. E aqui está o ponto central da questão: no Ocidente, a forma mais comum da síndrome de Guillain-Barré é a desmielinizante aguda, também chamada de AIDP. Por isso, a alternativa D está correta. Em linhas práticas, a mielina é a principal vítima no padrão ocidental clássico, enquanto outras variantes, como a axonal, aparecem com maior frequência em certos cenários epidemiológicos, sobretudo na Ásia e em surtos específicos. Resumo de prova: fraqueza ascendente + arreflexia + pós-infecção + disautonomia = pense em Guillain-Barré. Se a banca trouxer eletroneuromiografia, a resposta esperada costuma girar em torno do padrão desmielinizante no Ocidente.