Chega ao plantão da maternidade uma gestante com 31 semanas com membranas rotas em trabalho de parto, com 6 cm de dilatação, apresentação fetal cefálica e contrações uterinas frequentes e intensas. Realizada cardiotocografia, sendo evidenciada boa vitalidade fetal. Entre as boas práticas, nesse caso, estão:
- A)sulfato de magnésio e penicilina G cristalina;
Certa: sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal antes de 32 semanas, e penicilina G cristalina faz profilaxia para estreptococo do grupo B no contexto intraparto/bolsa rota.
- B)sulfato de magnésio e ocitocina;
Errada: sulfato de magnésio até pode fazer sentido, mas ocitocina é o oposto do que se deseja em trabalho de parto já estabelecido e intenso.
- C)penicilina G cristalina e vancomicina;
Errada: penicilina G cristalina pode ser usada, mas vancomicina não é a associação padrão de boa prática aqui, ficando reservada para situações específicas de alergia ou resistência.
- D)penicilina G cristalina e misoprostol;
Errada: penicilina G cristalina é adequada em alguns cenários, mas misoprostol é uterotônico e não tem papel neste parto prematuro já em evolução.
- E)dexametasona e cesariana.
Errada: dexametasona é útil para maturação pulmonar, mas a cesariana não é indicada de rotina neste caso, pois a apresentação é cefálica e o parto está avançado.
Gabarito: A
Aqui o quadro é de parto prematuro iminente, com 31 semanas, bolsa rota e dilatação de 6 cm. Nessa situação, o foco deixa de ser “segurar o parto a qualquer custo” e passa a ser reduzir riscos maternos e neonatais com as medidas que ainda fazem sentido no cenário real. A placenta não vai esperar, então a conduta precisa ser objetiva e esperta. Em gestante com menos de 34 semanas e parto prematuro em curso, duas medidas clássicas entram como boas práticas: corticoide antenatal para maturação pulmonar fetal e profilaxia para estreptococo do grupo B quando indicada pelo contexto obstétrico. Além disso, abaixo de 32 semanas, o sulfato de magnésio pode ser usado para neuroproteção fetal, ajudando a reduzir risco de paralisia cerebral em recém-nascidos prematuros. Isso é conduta de prova e de vida real. No caso da questão, a alternativa correta é a que associa sulfato de magnésio com penicilina G cristalina. O magnésio se justifica pela idade gestacional de 31 semanas, e a penicilina G cristalina é a profilaxia intraparto clássica contra GBS, especialmente em contexto de bolsa rota e parto prematuro, conforme a prática obstétrica consolidada e as diretrizes do MS/Febrasgo. Já tocolítico aqui não é protagonista, porque a paciente está em trabalho de parto avançado, com contrações intensas e 6 cm de dilatação. E cesariana não é automaticamente indicada só por prematuridade ou membrana rota: apresentação cefálica e boa vitalidade fetal favorecem a via vaginal. Na obstetrícia, cada minuto conta, mas nem todo susto vira cirurgia.