A enfermeira do posto de atendimento acidentou-se com material perfurocortante durante atendimento a um servidor. A enfermeira apresenta esquema vacinal completo com resposta vacinal adequada contra o vírus da hepatite B (VHB). O paciente-fonte é sabidamente portador do vírus da hepatite B (VHB). De acordo com o Ministério da Saúde, diante do caso, a recomendação para profilaxia do VHB após exposição ocupacional a material biológico é
- A)iniciar nova série de vacinação contra o VHB.
Errada, porque não há indicação de reiniciar uma nova série vacinal quando a pessoa já completou o esquema e tem resposta adequada.
- B)oferecer uma dose de reforço vacinal.
Errada, pois a dose de reforço não é recomendada para quem já comprovou imunidade protetora contra o VHB.
- C)imunoglobulina humana contra a hepatite B (IGHAHB), duas doses em intervalo de 0-30 dias.
Errada, porque IGHAHB em duas doses não é a conduta para profissional previamente imunizado com resposta vacinal adequada.
- D)IGHAHB em uma dose e vacinação contra o VHB.
Errada, já que a imunoglobulina associada à vacina é indicada em expostos sem imunidade comprovada, e não em quem já responde adequadamente à vacina.
- E)não iniciar nenhuma medida profilática específica.
Certa, pois, com esquema vacinal completo e resposta vacinal adequada, não há profilaxia específica para hepatite B após a exposição.
Gabarito: E
Quando ocorre acidente com material biológico, a conduta para hepatite B depende de duas coisas: o estado vacinal da pessoa exposta e o risco do paciente-fonte. Aqui, a enfermeira já tem esquema vacinal completo e comprovou resposta adequada, ou seja, está protegida contra o VHB. Isso muda tudo: não é caso de sair correndo para repetir vacina nem aplicar imunoglobulina como se a proteção não existisse. Pela orientação do Ministério da Saúde para exposição ocupacional, quem tem vacinação completa com soroconversão adequada (anti-HBs reagente, em geral protetor) não precisa de profilaxia específica para hepatite B, mesmo que a fonte seja sabidamente HBsAg positiva. A lógica é simples: se já há imunidade comprovada, o vírus encontra a porta fechada. Essa é a pegadinha clássica de prova: muita gente vê "fonte positiva" e pensa automaticamente em imunoglobulina. Só que a indicação de IGHAHB e/ou reforço aparece quando a pessoa exposta não está imunizada, não tem resposta documentada, ou tem situação vacinal incompleta. Quando a resposta vacinal é adequada, não há medida adicional específica para VHB. Então, no caso descrito, a conduta correta é apenas seguir a rotina de avaliação do acidente e vigilância clínica, sem profilaxia específica para hepatite B. É exatamente por isso que o gabarito é a letra E.