Paciente do sexo masculino, 42 anos procura atendimento com queixa de dor em região subesternal, de forte intensidade que irradia para o trapézio e alivia quando o paciente se inclina para frente. Além disso, apresenta febre e dispneia; ECG apresenta elevação difusa do segmento ST e radiografia de tórax apresentou aumento da área cardíaca, sem outras alterações. Assinale a opção que indica o diagnóstico correto para o quadro acima descrito.
- A)Embolia pulmonar.
Embolia pulmonar pode causar dispneia e dor torácica, mas não explica a dor que melhora ao inclinar-se para frente nem a elevação difusa do ST.
- B)Dissecção da aorta.
Dissecção de aorta costuma dar dor súbita, intensa e migratória, com possível assimetria de pulsos, e não esse padrão típico de pericardite.
- C)Miocardite.
Miocardite pode simular infarto e causar sintomas inespecíficos, mas o conjunto dor posicional, ST difuso e aumento da área cardíaca aponta mais para pericardite.
- D)Pericardite.
Pericardite é o diagnóstico correto, pois a dor pleurítico-posicional, o ST difuso e a cardiomegalia por derrame são achados clássicos.
- E)Infarto agudo do miocárdio.
Infarto agudo do miocárdio geralmente cursa com elevação regional do ST e dor em aperto sem melhora ao sentar, diferente do padrão descrito.
Gabarito: D
O quadro é bem típico de pericardite aguda. A dor torácica costuma ser em região subesternal ou precordial, pode irradiar para o trapézio, piora em decúbito e melhora quando o paciente se inclina para frente. Esse detalhe da postura é uma pista clássica, quase como se o corpo estivesse “confessando” o diagnóstico. Outro achado muito importante é o ECG com elevação difusa do segmento ST, geralmente com depressão do PR, porque o processo inflamatório envolve o pericárdio de forma global, e não uma área isolada do coração. Na radiografia, o aumento da área cardíaca sugere derrame pericárdico, o que reforça ainda mais o quadro. Febre e dispneia também combinam com inflamação pericárdica. Em prova, quando aparecer dor torácica que melhora ao sentar e inclinar-se para frente + ST difusamente elevado + coração aumentado na radiografia, pense em pericardite antes de se deixar seduzir por infarto ou embolia pulmonar. O gabarito é a letra D porque reúne exatamente a tríade clínica e os achados complementares esperados na pericardite aguda. O raciocínio é mais semiológico do que “decorativo”: a dor posicional, o ECG difuso e a cardiomegalia por derrame fecham o diagnóstico.