A cetoacidose diabética e o estado hiperosmolar hiperglicêmico são duas complicações associadas à hiperglicemia. Em relação a essas duas situações, assinale a afirmativa correta.
- A)Cetoacidose é definida pela glicemia maior que 600mg/dL, pH menor que 7,5 e cetonemia positiva.
Errada, porque glicemia acima de 600 mg/dL e osmolaridade muito alta são achados típicos do estado hiperosmolar, não da cetoacidose diabética.
- B)Estado hiperosmolar hiperglicêmico é definido pela glicemia maior que 250mg/dL, osmolaridade maior que 340mosm/kg, pH arterial maior que 7,3.
Errada, porque a glicemia acima de 250 mg/dL e pH menor que 7,3 apontam para cetoacidose, e não para estado hiperosmolar; além disso, a osmolaridade costuma ser maior que 320 mOsm/kg no EHH.
- C)Infecção é o fator precipitante na maioria dos casos de cetoacidose diabética e de estado hiperosmolar hiperglicêmico.
Certa, porque infecção é o fator precipitante mais comum tanto da cetoacidose diabética quanto do estado hiperosmolar hiperglicêmico.
- D)Na cetoacidose diabética a deficiência de insulina é relativa e no estado hiperosmolar hiperglicêmico essa deficiência é absoluta.
Errada, porque na cetoacidose a deficiência de insulina é mais intensa e no estado hiperosmolar há geralmente deficiência relativa, com alguma insulina residual.
- E)Na cetoacidose diabética a instalação do quadro é insidiosa em dias a semanas e no estado hiperosmolar hiperglicêmico a instalação é abrupta em horas.
Errada, porque a cetoacidose costuma ter instalação mais rápida em horas a poucos dias, enquanto o estado hiperosmolar tende a se instalar de forma mais insidiosa, em dias a semanas.
Gabarito: C
A cetoacidose diabética (CAD) e o estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) são emergências metabólicas da diabetes, mas não são a mesma coisa. Na CAD, predomina a falta de insulina com produção de corpos cetônicos e acidose; no EHH, há hiperglicemia e desidratação muito intensas, com pouca ou nenhuma cetose e pH geralmente preservado. O ponto-chave da questão está no fator desencadeante: infecções são o gatilho mais comum tanto na CAD quanto no EHH. Pneumonia, infecção urinária e outras infecções aumentam hormônios contra-reguladores, pioram a resistência à insulina e podem empurrar o paciente para a descompensação. É um clássico de prova da FGV: ela adora uma causa precipitando a outra. As demais alternativas misturam os critérios diagnósticos. A CAD costuma ter glicemia acima de 250 mg/dL, pH menor que 7,3 e cetonemia/cetonúria; o EHH costuma ter glicemia muito mais alta, frequentemente acima de 600 mg/dL, osmolaridade elevada e pH geralmente maior que 7,3. Ou seja, a alternativa correta é a C porque descreve o principal fator precipitante de ambas as condições.