Paciente do sexo masculino, 27 anos, agitado, sudoreico, taquicárdico, com pupilas midriáticas, procura atendimento na emergência com elevação da pressão arterial (PA 190x110mmHg). Assinale a medicação contraindicada para controle pressórico desse quadro.
- A)Betaboqueador.
Errada: beta-bloqueadores podem agravar a vasoconstrição por efeito alfa não antagonizado em intoxicação por cocaína/simpatomiméticos.
- B)Clonidina.
Certa como opção de controle em alguns cenários de hiperatividade simpática, pois pode reduzir a descarga adrenérgica.
- C)Bloqueadores dos canais de cálcio.
Pode ser usada para controle pressórico e vasodilatação em quadros selecionados de crise hipertensiva por simpaticomiméticos.
- D)Nitroprussiato.
É uma opção útil porque promove vasodilatação arterial e venosa rápida, sendo clássica em emergências hipertensivas.
- E)Fentolaimina.
É opção importante quando se quer bloquear efeito alfa periférico, especialmente em intoxicação por cocaína.
Gabarito: A
Esse quadro tem cara de excesso de estimulação simpática, muito típico de intoxicação por cocaína ou outra droga simpatomimética: paciente agitado, sudoreico, taquicárdico, com midríase e hipertensão importante. Nessa situação, o raciocínio é simples: primeiro você pensa em reduzir a descarga adrenérgica e proteger o paciente, e não em “frear só uma parte” do sistema sem cuidado. O ponto-chave é que beta-bloqueadores podem piorar a crise hipertensiva por deixar o efeito alfa adrenérgico sem oposição, o que leva à vasoconstrição ainda maior. Por isso, em intoxicação por cocaína, eles são tradicionalmente considerados contraindicados, especialmente os não seletivos. Na prática de emergência, isso é um clássico de prova. O manejo costuma priorizar sedação com benzodiazepínicos, controle pressórico com vasodilatadores como nitroprussiato, e antagonistas alfa como fentolamina quando indicado. Clonidina também pode ajudar a reduzir o tônus simpático em alguns contextos, e bloqueadores de canal de cálcio podem ser usados em situações selecionadas. O objetivo é aliviar a hiperatividade autonômica sem provocar rebote vasoconstritor. Ou seja: se o enunciado descreve o paciente “ligado no 220” por catecolamina/droga simpaticomimética, desconfie de beta-bloqueio isolado. A banca gosta desse detalhe porque ele é pequeno, mas derruba quem vai no automático.