Gestante com 35 semanas, gesta 4 para 3, procura atendimento na unidade básica de saúde onde faz acompanhamento do pré-natal com queixa de cefaleia, escotomas cintilantes e epigastralgia. Ao exame – lúcida, orientada no tempo e no espaço, eupneica, corada, anicterica, afebril. PA= 160x100mmHg; FC 93bpm; FR 18 IRPM; Tax 36 graus; ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações e edema bilateral em MMII. Assinale a opção que indica a conduta mais adequada para o caso apresentado.
- A)Administração de Captopril e observação na UBS
Errada, porque captopril não é a conduta ambulatorial adequada na gestação e a paciente tem sinais de pré-eclâmpsia grave, exigindo encaminhamento urgente.
- B)Solicitação de consulta com cardiologista
Errada, pois a prioridade é obstétrica e imediata; cardiologista não resolve a urgência materno-fetal descrita no enunciado.
- C)Solicitação de vaga zero
Certa, porque a paciente tem hipertensão com sinais de gravidade na gestação e deve ser encaminhada com urgência para atendimento hospitalar especializado.
- D)Agendamento de coleta de exames
Errada, porque não se deve aguardar coleta de exames na UBS quando há sinais clínicos de gravidade e risco de complicações maternas.
- E)Acompanhamento ambulatorial com prescrição de metildopa
Errada, pois metildopa é opção para controle em situações selecionadas, mas aqui há quadro sugestivo de pré-eclâmpsia grave, que pede urgência e não seguimento ambulatorial.
Gabarito: C
O quadro descreve uma gestante com sinais clássicos de pré-eclâmpsia com gravidade: hipertensão a partir de 20 semanas e sintomas de alarme como cefaleia, escotomas cintilantes e epigastralgia. Esses achados sugerem risco materno e fetal imediato, porque podem anteceder convulsões, AVC e HELLP. Nessa situação, não é caso de “acompanhar para ver” nem de pedir exame com calma: a paciente precisa ser encaminhada com urgência para serviço hospitalar com suporte obstétrico, ou seja, vaga zero. Na prática, a UBS deve reconhecer a emergência obstétrica, iniciar medidas iniciais se disponíveis e providenciar transferência imediata. A expressão “vaga zero” indica regulação prioritária para atendimento imediato em unidade de maior complexidade, sem aguardar agendamento ou consulta eletiva. Em concurso, isso aparece muito: sinais de gravidade na gestante = encaminhamento urgente. Por que não tratar como hipertensão crônica? Porque o contexto é gestacional e os sintomas neurológicos e epigástricos apontam para pré-eclâmpsia grave, que exige avaliação hospitalar, exames laboratoriais e vigilância materno-fetal. O manejo definitivo depende do serviço de referência, e, se houver indicação, pode incluir antihipertensivo, sulfato de magnésio e decisão sobre interrupção da gestação conforme idade gestacional e gravidade. Em termos doutrinários e de protocolo assistencial do SUS, a gestante com sinais de gravidade deve ser referenciada imediatamente para atenção terciária. A banca costuma cobrar exatamente essa lógica: no pré-natal, sintomas de alarme não combinam com conduta ambulatorial tranquila, e sim com urgência obstétrica.