Uma cidadã de 57 anos, em trânsito na Câmara Municipal de São Paulo, apresentou um episódio de tonteira e foi atendida no posto médico. Ela refere ser “hipertensa e apresenta um certo grau de disfunção renal”. Ao realizar o eletrocardiograma com 12 derivações, você identifica no traçado a seguinte alteração que sugere hipercalemia:
- A)onda T algo arredondada e assimétrica, com fase ascendente mais lenta e fase descendente mais rápida.
Errada: a onda T da hipercalemia não é arredondada e assimétrica, mas sim apiculada e simétrica.
- B)onda T apiculada, de base estreita e ampla, ultrapassando o tamanho do complexo QRS.
Certa: descreve a onda T clássica da hipercalemia, alta, apiculada e de base estreita, podendo ultrapassar o QRS.
- C)onda T aplanada negativa nas derivações V1 e V2.
Errada: onda T aplanada ou negativa em V1 e V2 não é o padrão típico de hipercalemia.
- D)onda T negativa nas derivações de V1 a V4.
Errada: inversão de T em V1 a V4 sugere outras causas de alteração de repolarização, não o padrão clássico de hipercalemia.
- E)onda T aplanada, de pequena amplitude e por vezes negativa.
Errada: onda T aplanada e de pequena amplitude é mais compatível com hipocalemia, não hipercalemia.
Gabarito: B
A hipercalemia mexe de forma clássica no eletrocardiograma e costuma entregar o jogo antes mesmo do exame laboratorial confirmar. O achado mais lembrado é a onda T apiculada, simétrica, de base estreita e mais “pontuda”, como se o traçado estivesse ficando em bico. Em casos mais intensos, ela pode ficar alta a ponto de ultrapassar a altura do complexo QRS, o que é um sinal bem sugestivo de potássio elevado. Esse cenário combina muito com pacientes com disfunção renal, porque o rim perde capacidade de eliminar potássio. Então, uma pessoa hipertensa com algum grau de insuficiência renal já acende a luz amarela para distúrbios hidroeletrolíticos, especialmente se houver tontura, fraqueza ou alteração de condução no ECG. A alternativa B está correta porque descreve exatamente a onda T da hipercalemia: apiculada, de base estreita e ampla, podendo superar o QRS. Na prática, o ECG da hipercalemia costuma evoluir de T apiculada para prolongamento do PR, desaparecimento da onda P, alargamento do QRS e, nos casos graves, o famoso padrão em “sine wave”, que é sinal de perigo real. Resumo de prova: T em bico e base estreita é hipercalemia até prova em contrário. Se o rim não ajuda, o potássio sobe e o ECG costuma avisar antes do problema virar emergência.