Um servidor de 21 anos procura o posto de atendimento médico. Há dois dias ele tem percebido um corrimento uretral mucopurulento, associado a estrangúria. Ele refere nova parceira sexual e uso inadequado de preservativo. Você corretamente suspeita de um quadro de uretrite infecciosa. Considerando os dois agentes etiológicos mais frequentes, em pacientes imunocompetentes, não alérgicos a penicilina, a opção de tratamento empírico preconizada é:
- A)Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, 1 x/semana, por pelo menos três semanas.
Errada: azitromicina isolada não cobre adequadamente gonococo, que é causa frequente de uretrite mucopurulenta.
- B)Ceftriaxona 500mg, IM, dose única associado a Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única.
Certa: faz cobertura empírica para os dois agentes mais comuns da uretrite infecciosa em homem jovem, gonococo e clamídia.
- C)Ceftriaxona 500mg, IM, dose única.
Errada: ceftriaxona isolada trata gonococo, mas não cobre a possível coinfecção por Chlamydia trachomatis.
- D)Aciclovir 200mg, 2 comprimidos, VO, 3x/dia, por 7-10 dias OU Aciclovir 200mg, 1 comprimido, VO, 5x/dia (7h, 11h, 15h, 19h, 23h, 7h...), por 7-10 dias.
Errada: aciclovir é tratamento para herpesvírus, não para uretrite bacteriana com corrimento mucopurulento.
- E)Metronidazol 250mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 7 dias associado a Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única.
Errada: metronidazol é voltado a anaeróbios e Trichomonas, não sendo o esquema padrão para essa uretrite.
Gabarito: B
Na uretrite infecciosa aguda em homem jovem com corrimento mucopurulento e disúria/estrangúria, o raciocínio inicial é pensar nos dois agentes mais comuns em pacientes imunocompetentes: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Como na prática você muitas vezes não tem o resultado na mão na hora, o tratamento empírico precisa cobrir os dois logo de cara. É aquele momento clássico de agir primeiro e confirmar depois, sem deixar o microrganismo ganhar tempo. Por isso, o esquema cobrado pela questão é ceftriaxona intramuscular em dose única associada a azitromicina por via oral em dose única. A ceftriaxona cobre muito bem a gonococcia, e a azitromicina entra para cobrir a possível coinfecção por clamídia. Em provas, isso aparece como o raciocínio padrão da uretrite uretrite-aguda com secreção purulenta em contexto de relação sexual desprotegida. Vale lembrar que diretrizes mais atuais podem preferir outros esquemas para clamídia em alguns cenários, como doxiciclina, mas a banca está cobrando o protocolo clássico e o tratamento empírico historicamente consolidado para cobrir os dois agentes mais frequentes. Em concurso, o importante é reconhecer o binômio gonococo + clamídia e não cair em antivirais ou antiparasitários por causa da secreção. Então, a resposta correta é a alternativa B, porque ela faz a cobertura empírica adequada para uretrite infecciosa compatível com gonorreia e possível coinfecção por clamídia.