Criança do sexo feminino de 7 anos de idade, após queda, sofreu uma fratura distal do úmero fechada. Ao exame era incapaz de fletir a articulação inter falangeana distal do indicador e a inter falangeana do polegar. Esses achados demonstram déficit de fibras no nervo
- A)ulnar.
Errada, porque o nervo ulnar lesa principalmente a motricidade intrínseca da mão, causando alteração de abdução/adução dos dedos, e não esse padrão de flexão do indicador e do polegar.
- B)radial.
Errada, porque o nervo radial está ligado sobretudo à extensão do punho, dedos e polegar, então a falha típica seria extensão comprometida, não flexão distal desses dedos.
- C)músculo cutâneo.
Errada, porque o nervo musculocutâneo atua principalmente na flexão do cotovelo e supinação do antebraço, não explicando essa perda seletiva nos dedos.
- D)interósseo anterior.
Certa, porque o nervo interósseo anterior inerva o flexor longo do polegar e a porção lateral do flexor profundo dos dedos, responsáveis pela flexão da interfalangeana do polegar e do indicador.
- E)interósseo posterior.
Errada, porque o nervo interósseo posterior é ramo do radial e é motor para compartimentos extensores do antebraço, não para a flexão distal descrita no caso.
Gabarito: D
Em fraturas do úmero distal, o ponto mais importante é lembrar que nervos podem ser lesionados e, com isso, surgem déficits motores bem específicos. Aqui, a criança não consegue fletir a interfalangeana distal do indicador nem a interfalangeana do polegar, o que aponta para falha dos músculos flexor profundo dos dedos (porção lateral, para o indicador) e flexor longo do polegar. Esses músculos são inervados pelo nervo interósseo anterior, que é um ramo do nervo mediano. O nervo interósseo anterior é um nervo puramente motor. Então, quando ele sofre lesão, você vê perda de pinça fina e dificuldade para fazer o gesto clássico de "OK", porque o polegar e o indicador não dobram como deveriam. É aquele teste clínico que costuma aparecer em prova como uma pista disfarçada de detalhe funcional. Na fratura distal do úmero, especialmente em trauma pediátrico, o exame neurológico direcionado ajuda muito a localizar a lesão. Se o problema fosse do radial, por exemplo, você pensaria mais em queda do punho e extensão prejudicada. Se fosse ulnar, o raciocínio iria para lesão de interósseos e adução/abdução dos dedos. Como a queixa é de flexão específica do indicador e do polegar, o alvo é o nervo interósseo anterior. Então o gabarito D está correto porque a incapacidade de fletir a interfalangeana distal do indicador e a interfalangeana do polegar traduz lesão dos músculos inervados por esse ramo do mediano. Em prova, o caminho é sempre o mesmo: função perdida primeiro, nervo depois.