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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Criança do sexo feminino de 7 anos de idade, após queda, sofreu uma fratura distal do úmero fechada. Ao exame era incapaz de fletir a articulação inter falangeana distal do indicador e a inter falangeana do polegar. Esses achados demonstram déficit de fibras no nervo

Gabarito: D

Em fraturas do úmero distal, o ponto mais importante é lembrar que nervos podem ser lesionados e, com isso, surgem déficits motores bem específicos. Aqui, a criança não consegue fletir a interfalangeana distal do indicador nem a interfalangeana do polegar, o que aponta para falha dos músculos flexor profundo dos dedos (porção lateral, para o indicador) e flexor longo do polegar. Esses músculos são inervados pelo nervo interósseo anterior, que é um ramo do nervo mediano. O nervo interósseo anterior é um nervo puramente motor. Então, quando ele sofre lesão, você vê perda de pinça fina e dificuldade para fazer o gesto clássico de "OK", porque o polegar e o indicador não dobram como deveriam. É aquele teste clínico que costuma aparecer em prova como uma pista disfarçada de detalhe funcional. Na fratura distal do úmero, especialmente em trauma pediátrico, o exame neurológico direcionado ajuda muito a localizar a lesão. Se o problema fosse do radial, por exemplo, você pensaria mais em queda do punho e extensão prejudicada. Se fosse ulnar, o raciocínio iria para lesão de interósseos e adução/abdução dos dedos. Como a queixa é de flexão específica do indicador e do polegar, o alvo é o nervo interósseo anterior. Então o gabarito D está correto porque a incapacidade de fletir a interfalangeana distal do indicador e a interfalangeana do polegar traduz lesão dos músculos inervados por esse ramo do mediano. Em prova, o caminho é sempre o mesmo: função perdida primeiro, nervo depois.

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