Paciente do sexo masculino, 68 anos, procura atendimento por perda progressiva de peso, icterícia e diminuição do apetite nos últimos 4 meses. Apresenta colúria e acolia fecal. Antes desse quadro não tinha diagnóstico de comorbidades e não fazia uso regular de medicações. Consome 2 taças de vinho por dia. Tabagista com carga tabágica de 50 maços/ano. Não faz atividade física. Dieta pobre em fibras e rica em gorduras. PA 110 x 70mmHg, FC 78BPM. Lúcido, orientado no tempo e no espaço, eupneico, afebril, ictérico. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. Abdome com vesícula palpável ao exame, indolor, sem outras alterações significativas. Assinale a opção que indica o fator de risco com maior relação com essa condição clínica.
- A)Consumo de álcool.
Errada, porque o consumo de álcool se relaciona mais fortemente com pancreatite crônica e câncer de vias aerodigestivas do que com esse quadro típico de câncer de pâncreas.
- B)Sedentarismo.
Errada, pois sedentarismo pode contribuir para pior perfil metabólico, mas não é o fator de risco clássico mais associado à neoplasia descrita.
- C)Baixo consumo de fibras.
Errada, já que baixo consumo de fibras não é um fator de risco relevante e específico para esse tipo de câncer.
- D)Tabagismo.
Certa, porque o tabagismo é um dos principais fatores de risco para câncer de pâncreas, especialmente em fumantes com longa carga tabágica.
- E)Excessivo consumo de gorduras.
Errada, pois dieta rica em gorduras não é o fator com maior relação causal com esse quadro clínico.
Gabarito: D
O quadro descreve uma icterícia obstrutiva progressiva, com colúria, acolia fecal e vesícula palpável indolor, o que faz pensar em neoplasia de cabeça de pâncreas. Esse tipo de apresentação é clássico quando o tumor comprime a via biliar, e a vesícula distendida sem dor lembra o sinal de Courvoisier, que aponta para obstrução maligna mais do que para cálculo biliar. Entre os fatores de risco, o tabagismo é o mais fortemente relacionado ao câncer de pâncreas. O cigarro não entra de figurante aqui: ele é um dos principais vilões desse tumor, aumentando de forma relevante o risco, especialmente em fumantes pesados e de longa data. Álcool, dieta rica em gorduras, sedentarismo e baixo consumo de fibras podem até aparecer em listas de estilo de vida ruim, mas não têm a mesma associação direta e consistente com essa neoplasia que o tabagismo. Em prova, quando a banca monta o cenário de icterícia obstrutiva com perda de peso e vesícula palpável, a suspeita é de câncer de pâncreas até que se prove o contrário. Resumo de ouro: a clínica aponta para neoplasia pancreática, e o fator de risco mais associado entre as alternativas é o cigarro. Em termos práticos, o tabagismo é um dos fatores modificáveis mais importantes para esse câncer.