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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente de 67 anos de idade, tabagista de longa data, foi diagnosticado com neoplasia pulmonar, cuja histopatologia foi definida como carcinoma de pequenas células. Logo após o diagnóstico, passou a apresentar episódio de desorientação severa, sendo internado para investigar quadro neurológico associado. A tomografia computadorizada foi normal, e os exames laboratoriais demonstraram: ureia: 23; creatinina: 0,6; sódio: 109mEq/L; e ácido úrico: 2,1mg%. É importante ressaltar que, no exame físico, o estado volêmico do paciente sugeria euvolemia. Para esse caso, assinale a opção que indica a hipótese diagnóstica mais provável.

Gabarito: A

A pista principal da questão é a combinação de câncer de pequenas células de pulmão com hiponatremia importante em paciente aparentemente euvolêmico. Esse tumor é clássico por produzir ADH de forma ectópica, levando à síndrome da secreção inadequada de hormônio antidiurético, a famosa SIADH. O resultado é retenção de água livre, diluição do sódio e, muitas vezes, queda do ácido úrico e ureia, enquanto a creatinina pode ficar normal, como no caso descrito. Na SIADH, o paciente costuma parecer com volume normal ao exame físico, o que ajuda muito a diferenciar de causas como hipovolemia ou síndrome perdedora de sal. A urina tende a ficar inadequadamente concentrada, porque o ADH continua agindo mesmo quando não deveria. Em prova, isso aparece como confusão, desorientação, náusea, convulsão ou rebaixamento do nível de consciência, tudo consequência da hiponatremia. O pequeno detalhe que não deixa a banca escapar é o câncer de pequenas células. Ele é o neoplasma mais lembrado por secreção ectópica de hormônios, especialmente ADH e ACTH. Então, quando o enunciado junta neoplasia pulmonar desse tipo com sódio muito baixo e euvolemia, a resposta praticamente acende um letreiro. Se você pensar em fisiopatologia, a ideia é simples: tem água demais para pouco sódio. Não é perda de sal, não é falta de água, nem lesão cerebral estrutural na tomografia. É um caso clássico de SIADH secundária a neoplasia, exatamente o tipo de associação que a FGV gosta de cobrar.

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