Uma mulher de 42 anos, saudável, acorda e encontra um morcego na cama, aparentemente morto, ao lado de uma mancha de sangue no lençol. Percebeu também que há uma ferida sangrante em seu pé esquerdo. Supondo ter sido vítima do ataque do animal, procura atendimento. Assinale a opção que apresenta a conduta correta para o caso descrito.
- A)Lavar a ferida com água e sabão, administrar soro antirrábico imediatamente e programar vacinação antirrábica com 4 doses nos dias 0, 3, 7 e 14.
Certa: indica lavagem da ferida, imunoglobulina antirrábica e vacina em 4 doses (0, 3, 7 e 14), que é a profilaxia indicada para exposição grave em paciente não previamente imunizada.
- B)Lavar a ferida com água e sabão, administrar imunoglobulina antirrábica imediatamente e programar vacinação antirrábica com 5 doses nos dias 0, 7, 14, 21 e 28.
Errada: o esquema de 5 doses está desatualizado para esse caso e a vacina não começa em 0, 7, 14, 21 e 28 quando há indicação de profilaxia pós-exposição em não vacinada.
- C)Lavar a ferida com água e clorexidina degermante e programar imunização com imunoglobulina antirrábica com 5 doses nos dias 0, 7, 14, 21 e 28.
Errada: clorexidina não substitui a lavagem vigorosa com água e sabão, e o enunciado troca o sentido da profilaxia ao falar em imunização com imunoglobulina e esquema vacinal inadequado.
- D)Lavar a ferida com soro fisiológico, administrar uma dose de vacina antirrábica e prosseguir esquema de 5 doses caso a paciente recuse o soro antirrábico.
Errada: soro fisiológico não é a conduta principal para limpeza da ferida e a vacina não deve ficar condicionada à recusa do soro; em exposição grave, imunoglobulina e vacina devem ser indicadas.
- E)Lavar a ferida com soro fisiológico, administrar imunoglobulina antirrábica e repetir após 3 dias caso a paciente recuse a vacinação antirrábica.
Errada: a imunoglobulina não é repetida após 3 dias por recusa da vacina, e a profilaxia antirrábica não segue essa lógica de substituição ou reaplicação.
Gabarito: A
Raiva é uma daquelas doenças em que você não brinca nem um pouco: a suspeita de exposição já exige conduta imediata, porque depois que os sintomas aparecem, a mortalidade é praticamente de 100%. No atendimento inicial, a primeira medida é sempre lavar bem a ferida com água e sabão, porque isso reduz muito a carga viral no local. Parece simples, mas é um passo-chave. Quando há mordida, arranhadura ou contato salivar com lesão de pele ou mucosa por morcego, a exposição é considerada grave. Nessa situação, se a pessoa não foi previamente vacinada, você deve fazer imunoglobulina antirrábica o mais cedo possível, infiltrada na região da ferida, e iniciar a vacina antirrábica em 4 doses, nos dias 0, 3, 7 e 14. É o esquema clássico preconizado pelo Ministério da Saúde para profilaxia pós-exposição em não vacinados. Por isso a alternativa A está correta: ela traz o cuidado local adequado, a imunização passiva com soro/imunoglobulina antirrábica e o esquema vacinal de 4 doses. O detalhe importante é que a imunoglobulina não substitui a vacina; as duas coisas se complementam. E, na dúvida com morcego, a banca costuma tratar como risco significativo mesmo quando o animal é encontrado morto, porque a história sugere contato não esclarecido e possível agressão noturna. Resumo para prova: lavou, imunoglobulina, vacina. Se aparecer morcego no enunciado, acende o alerta vermelho da raiva.