Paciente de 75 anos, diagnóstico de DPOC, internações repetidas por exacerbações infecciosas, com uso frequente de antibioticoterapia. Optou-se por coleta de amostra de escarro para auxílio na escolha do antibiótico adequado. Em relação à qualidade da amostra de escarro adequada para avaliação laboratorial, assinale a afirmativa correta.
- A)A amostra deve conter mais de 75% de polimorfonucleares por campo examinado.
Errada: a presença de mais de 75% de polimorfonucleares não é o critério clássico de qualidade da amostra de escarro.
- B)A amostra deve conter menos de 10 leucócitos e mais de 25 células epiteliais por campo examinado.
Errada: essa combinação indica amostra ruim, porque há poucos leucócitos e muitas células epiteliais, sugerindo contaminação por saliva.
- C)A amostra deve conter menos de 10% de linfócitos por campo examinado.
Errada: a porcentagem de linfócitos não é o parâmetro usado para definir qualidade do escarro.
- D)A presença de eosinófilos no escarro descarta infecção.
Errada: eosinófilos no escarro não descartam infecção; eles podem aparecer em outras condições, como asma e processos alérgicos.
- E)A amostra deve conter menos de 10 células epiteliais e mais de 25 leucócitos por campo examinado.
Certa: a amostra adequada deve ter menos de 10 células epiteliais e mais de 25 leucócitos por campo, indicando menor contaminação e maior chance de representar o trato respiratório inferior.
Gabarito: E
Na coleta de escarro para exame laboratorial, a grande preocupação é saber se a amostra veio mesmo do trato respiratório inferior ou se foi só saliva de boca bonita. Por isso, a microscopia avalia principalmente a quantidade de células inflamatórias e de células epiteliais escamosas, que costumam indicar contaminação da amostra por secreção oral. Uma amostra de boa qualidade, para ajudar na escolha do antibiótico, deve ter muitos leucócitos, especialmente neutrófilos, e poucas células epiteliais. A lógica é simples: mais células de defesa sugerem processo infeccioso/inflamatório pulmonar, enquanto muitas células epiteliais apontam que o material foi contaminado pela orofaringe. O critério clássico cobrado em prova é: menos de 10 células epiteliais e mais de 25 leucócitos por campo. É exatamente a ideia da alternativa E. Em outras palavras, o laboratório quer um escarro “valioso”, não uma amostra que parece ter sido colhida depois de um engasgo com saliva. Isso é um padrão técnico de microbiologia clínica usado na interpretação do escarro, muito cobrado em pneumologia e infectologia. Então, quando aparecer a comparação entre leucócitos e células epiteliais, pense: poucas epiteliais, muitos leucócitos, amostra boa.