Paciente de 12 anos masculino, vem a consulta com relato de infecções recorrentes de vias aéreas superiores. Relata que toda ida a emergência é prescrita antibioticoterapia e que melhora o quadro, mas que retorna em pouco tempo. Relata na consulta que possui secreção hialina quase contínua, prurido ocular e tosse noturna. Nesse caso, o melhor procedimento é
- A)iniciar tratamento com corticoide inalatório.
Errada, porque corticoide inalatório é usado para asma, enquanto aqui o quadro aponta para rinite alérgica nasal.
- B)avaliar presença de corpo estranho.
Errada, porque corpo estranho costuma sugerir início mais súbito e sintomas localizados, muitas vezes com secreção unilateral e fétida.
- C)tomografia de seios da face.
Errada, porque tomografia de seios da face não é o primeiro passo em um quadro típico de rinite alérgica sem sinais de gravidade.
- D)antibioticoterapia oral por 21 dias.
Errada, porque antibioticoterapia prolongada só faria sentido se houvesse forte evidência de sinusite bacteriana, o que não é o caso.
- E)iniciar tratamento com corticoide nasal associado a anti-histamínico oral.
Certa, porque trata a rinite alérgica com corticoide nasal e reduz sintomas histamínicos com anti-histamínico oral.
Gabarito: E
O quadro descreve muito mais uma rinite alérgica do que uma infecção de repetição: secreção hialina quase contínua, prurido ocular e tosse noturna são pistas clássicas de alergia. Em criança e adolescente, isso costuma gerar a impressão de que “vive com sinusite” e acaba recebendo antibiótico toda vez, mas antibiótico não resolve alergia, só mascara o problema por um tempo. O raciocínio correto é tratar a inflamação da mucosa nasal e o componente alérgico. Na rinite alérgica, o tratamento de base costuma ser com corticoide intranasal, porque ele reduz inflamação, congestão e coriza com boa eficácia. Como há prurido ocular e sintomas persistentes, associar anti-histamínico oral ajuda bastante no controle global, especialmente quando há componente alérgico mais evidente. É uma combinação muito usada na prática e muito cobrada em prova. A banca quer que você perceba que não há sinal forte de corpo estranho, nem indicação de sair pedindo tomografia de seios da face de cara, nem de insistir em antibiótico por 21 dias sem evidência de infecção bacteriana. Tosse noturna e coriza clara são mais compatíveis com rinite alérgica, com possível gotejamento pós-nasal, do que com pneumonia ou sinusite bacteriana. Resumo de prova: criança com coriza clara, prurido ocular e tosse noturna pense primeiro em rinite alérgica. O melhor procedimento é iniciar corticoide nasal associado a anti-histamínico oral, que trata a causa do desconforto e não apenas o sintoma do dia.