Paciente de 65 anos, diabético, apresenta ferida infectada na região plantar esquerda, com formação de abscesso plantar, sem drenagem espontânea. Exames laboratoriais apontam leucocitose (19000 leucócitos), hiperglicemia (glicemia 300mg/dL) e proteína C reativa 18mg/dL. Ao exame físico, observa-se a presença de pulsos amplos podálicos bilateralmente com ITB > 0,8. Neste caso, a melhor conduta inicial será
- A)observação ambulatorial e antibioticoterapia oral.
Errada, porque abscesso plantar com sinais sistêmicos e laboratoriais de infecção não deve ser tratado apenas com observação e antibiótico oral.
- B)arteriografia e antibioticoterapia venosa.
Errada, porque a prioridade não é estudo arterial, já que os pulsos estão preservados e o ITB não sugere isquemia importante.
- C)drenagem cirúrgica do abscesso e antibioticoterapia venosa.
Certa, pois abscesso infectado exige drenagem do foco associada a antibiótico venoso diante da gravidade do quadro.
- D)drenagem cirúrgica do abscesso e arteriografia.
Errada, porque a arteriografia não é a primeira conduta quando a perfusão está preservada e o problema urgente é infeccioso.
- E)curativos com álcool 70% e antiinflamatórios.
Errada, porque álcool 70% e anti-inflamatório não tratam abscesso infectado e ainda atrasam o manejo adequado.
Gabarito: C
Em pé diabético infectado, o ponto de partida não é “esperar para ver”, e sim pensar em gravidade da infecção e risco de progressão rápida. Aqui o paciente tem abscesso plantar, leucocitose importante, PCR elevada e hiperglicemia, ou seja, há infecção ativa com necessidade de controle imediato do foco e suporte clínico. O abscesso é coleção fechada de pus: antibiótico sozinho costuma falhar porque o remédio não atravessa bem uma cavidade purulenta sem drenagem. A conduta inicial, portanto, é drenagem cirúrgica do abscesso, associada a antibioticoterapia venosa. Isso reduz a carga bacteriana, descomprime o tecido infectado e diminui o risco de extensão para planos profundos, osteomielite e até sepse. Em infecção moderada a grave do pé diabético, a combinação de cirurgia precoce e antibiótico endovenoso é o caminho mais seguro. Os pulsos podálicos amplos e o ITB acima de 0,8 mostram que não há sinal de isquemia relevante impedindo a cicatrização, então o problema principal aqui é infeccioso, não vascular. Por isso, arteriografia não é a primeira medida. Em termos práticos: primeiro você controla a infecção e drena o que está fechado; depois, se necessário, reavalia perfusão e cuidado com feridas. A lógica cobrada é bem alinhada com o manejo clássico do pé diabético: avaliar gravidade, procurar coleção purulenta e intervir cedo quando há abscesso. O antibiótico oral até pode entrar em quadros leves, mas neste caso o quadro já passou da fase “dá para observar no ambulatório” e pede ação imediata.