Paciente de 43 anos de idade, sexo feminino, branca, com queixa de dor progressiva na região lateral superior da mama direita, com aparecimento de cordão fino e duro longitudinal intracutâneo, retraindo parcialmente a pele. Ao exame físico, havia presença de cordão fibroso subcutâneo tracionando a pele, de sentido longitudinal radial, dicotomizado nas proximidades da aréola. A mamografia demonstrou segmento vascular mais calibroso, ectasiado, longitudinal, no quadrante superior externo e a ultrassonografia não evidenciou alterações. De acordo com esse quadro, a melhor conduta é
- A)fazer exérese cirúrgica da lesão.
Errada, porque a doença de Mondor costuma ser autolimitada e raramente exige retirada cirúrgica da lesão.
- B)iniciar anticoagulante com controle clínico.
Errada, pois não se trata de um quadro em que anticoagulação seja a conduta padrão, já que o manejo é geralmente sintomático.
- C)fazer calor local e uso de anti-inflamatórios.
Certa, porque o tratamento habitual da tromboflebite superficial mamária é conservador, com calor local e anti-inflamatórios.
- D)iniciar antibióticos de amplo espectro.
Errada, porque antibióticos são indicados em infecção, e aqui o achado sugere tromboflebite superficial, não mastite ou abscesso.
- E)fazer radioterapia na mama direita.
Errada, porque radioterapia não tem papel nesse quadro benigno e autolimitado da mama.
Gabarito: C
O quadro descrito é típico da doença de Mondor da mama, que na prática é uma tromboflebite superficial das veias da parede torácica ou da mama. Ela costuma aparecer como um cordão fino, duro e doloroso sob a pele, com retração local, chamando atenção justamente porque parece algo mais sério, mas geralmente é benigno e autolimitado. Na imagem e no exame, a mamografia pode mostrar um vaso superficial mais calibroso e ectasiado, enquanto a ultrassonografia muitas vezes não revela alterações importantes. Isso combina com o comprometimento de um vaso superficial, e não com abscesso, tumor ou lesão profunda da mama. A conduta, na maioria dos casos, é conservadora: calor local e anti-inflamatórios para alívio da dor e da inflamação. Em geral, a evolução é espontaneamente favorável, com regressão ao longo de semanas. Anticoagulação, antibiótico ou cirurgia não fazem parte do tratamento habitual quando o quadro é esse e não há outra suspeita associada. Então, o segredo da questão é reconhecer a doença de Mondor: cordão subcutâneo doloroso, pele retraída e imagem de veia superficial acometida. Em prova, isso costuma cair como uma armadilha elegante: parece mamária, mas o tratamento é simples e clínico.