Paciente masculino, 25 anos, procurou o Serviço de Emergência devido à dor abdominal, náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes, com evolução de 24 horas. Relata achar que tem intestino irritável devido a episódios diarreicos frequentes, e um episódio a cerca de 6 meses de uveíte no olho direito. Sem outras patologias pregressas. Ao exame clínico, lúcido, orientado, normotenso, eupneico. Apresentava distensão abdominal, com dor à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal, peristaltismo exacerbado. A tomografia de abdome evidenciou distensão de delgado com sinais de empilhamento de moeda, cólon vazio e ausência de gás no reto. Hemograma com 15.600 leucócitos e 6 bastões. Diante desse quadro, assinale a opção que indica a melhor conduta.
- A)Colonoscopia terapêutica descompressiva.
Errada: colonoscopia descompressiva é indicada sobretudo em pseudo-obstrução colônica, não em obstrução de delgado por provável Doença de Crohn.
- B)Laparotomia exploradora por incisão mediana.
Errada: laparotomia exploradora fica para peritonite, perfuração, isquemia ou falha do tratamento conservador, o que não é o caso descrito.
- C)Dieta zero, cateter naso-gástrico, antibioticoterapia.
Errada: dieta zero e sonda ajudam, mas antibiótico não é a peça central aqui sem sinais de infecção abdominal ou complicação séptica.
- D)Estabilização clínica e vídeo-laparoscopia diagnóstica.
Errada: laparoscopia diagnóstica não é a melhor primeira medida diante de quadro clínico compatível com Crohn obstrutivo sem sinais de complicação cirúrgica imediata.
- E)Dieta zero, hidratação venosa, cateter naso-gástrico, corticoide.
Certa: a conduta inicial na crise obstrutiva inflamatória por Doença de Crohn é suporte clínico com jejum, hidratação venosa, sonda nasogástrica e corticoide.
Gabarito: E
Aqui a pista mais importante não é só a obstrução, mas o contexto: jovem com diarreia recorrente, episódio prévio de uveíte e quadro atual de suboclusão intestinal. Isso aponta fortemente para Doença de Crohn, que pode dar estenose inflamatória no delgado e levar a distensão, parada de gases e fezes, náuseas e vômitos. Na fase aguda, sem sinais de peritonite ou perfuração, a melhor conduta costuma ser conservadora: dieta zero, hidratação venosa, cateter naso-gástrico para descompressão e corticoide quando a obstrução tem componente inflamatório. É o tipo de caso em que você trata a crise antes de sair correndo para o centro cirúrgico. A tomografia com delgado distendido, cólon vazio e ausência de gás no reto reforça obstrução intestinal distal/suboclusão. Como não há sinais de abdome agudo perfurativo nem instabilidade, a cirurgia imediata não é a primeira escolha. Em Crohn, operar sem necessidade pode só aumentar a lista de problemas. Em resumo: o quadro é compatível com crise obstrutiva de Doença de Crohn, e a conduta inicial correta é suporte clínico com jejum, hidratação, sonda nasogástrica e corticoide, reservando cirurgia para falha do tratamento, complicações ou obstrução por fibrose fixa.