Paciente do sexo feminino, 34 anos, nulípara, durante investigação de colelitíase realiza tomografia abdominal que, como achado radiológico, interroga a presença de aneurisma de artéria esplênica. Realizada angiotomografia, complementando a investigação, confirma-se a presença de aneurisma de artéria esplênica de 16 milímetros de diâmetro. A melhor conduta neste caso é
- A)conduta conservadora e repetir angiotomografia em 12 meses.
Errada, porque a simples observação com controle em 12 meses não é a melhor opção em mulher jovem com potencial reprodutivo, devido ao maior risco de ruptura na gestação.
- B)realizar arteriografia para confirmação do aneurisma.
Errada, porque a angiotomografia já confirmou o aneurisma, então a arteriografia não é necessária apenas para validação diagnóstica.
- C)realizar angiorressonância para confirmação do diâmetro.
Errada, porque a angiorressonância não acrescenta o suficiente para mudar a conduta, já que o aneurisma já foi confirmado e o problema é terapêutico.
- D)intervenção cirúrgica para tratamento do aneurisma.
Certa, porque aneurisma de artéria esplênica em mulher em idade fértil deve ser tratado de forma intervencionista, mesmo com diâmetro menor que 2 cm.
- E)realizar ecocardiograma transesofágico para investigação de correlação com forame oval patente.
Errada, porque ecocardiograma transesofágico não faz parte da investigação de aneurisma de artéria esplênica e não tem relação com o quadro.
Gabarito: D
Aneurisma de artéria esplênica é o aneurisma visceral mais frequente e, muitas vezes, aparece como achado incidental em exames de imagem. O ponto principal aqui é que nem todo aneurisma pequeno pode ficar em observação: o risco de ruptura muda bastante conforme o perfil da paciente. Em mulheres em idade fértil, especialmente quando há possibilidade de gestação, a conduta costuma ser mais agressiva, porque a gravidez aumenta muito o risco de ruptura e de sangramento grave. No caso descrito, o aneurisma mede 16 mm, então ele está abaixo do corte clássico de 2 cm que, em muitos pacientes, permitiria seguimento. Só que a paciente é jovem, nulípara e em idade reprodutiva. Nessa situação, a literatura vascular e as diretrizes de cirurgia vascular consideram tratamento intervencionista, mesmo em aneurismas menores, por causa do risco futuro relacionado à gestação. Por isso, a melhor conduta é tratar o aneurisma, e não ficar pedindo exame atrás de exame para "confirmar mais um pouco". A angiotomografia já confirmou o diagnóstico, então arteriografia, angiorressonância ou ecocardiograma transesofágico não mudam a decisão. O foco agora é prevenir ruptura, que é o grande vilão da história. Em resumo: aneurisma esplênico confirmado, em mulher em idade fértil, mesmo com 16 mm, indica intervenção. É a típica situação em que o tamanho sozinho não manda no jogo; o contexto clínico fala mais alto.