Paciente 35 anos, hipertireoidismo sem tratamento, com episódio de fibrilação atrial persistente há 10 dias. Está estável hemodinamicamente. Foi controlada a frequência cardíaca com betabloqueador e será iniciado metimazol. Nesse momento, deve-se fazer
- A)anticoagulação e cardioversão química.
Errada, porque cardioversão química em FA com 10 dias de duração, sem anticoagulação prévia, aumenta o risco de embolia.
- B)anticoagulação e cardioversão elétrica.
Errada, porque cardioversão elétrica também não deve ser feita de imediato em fibrilação atrial com mais de 48 horas sem proteção antitrombótica adequada.
- C)cardioversão química.
Errada, porque a cardioversão química isolada não resolve a necessidade de anticoagulação prévia nesse contexto.
- D)cardioversão elétrica.
Errada, porque o paciente está estável e a cardioversão elétrica não é a prioridade agora; antes, deve-se reduzir o risco tromboembólico.
- E)anticoagulação.
Certa, porque a FA com 10 dias de evolução exige anticoagulação antes de qualquer tentativa de cardioversão, especialmente em um paciente estável.
Gabarito: E
Na fibrilação atrial, o primeiro filtro é sempre: a pessoa está estável ou instável? Se estiver instável, a conduta muda para cardioversão imediata. Aqui, porém, o paciente está estável hemodinamicamente, então você não precisa correr para choque nem para “dar um reset” no coração. Além disso, a fibrilação atrial já dura 10 dias. Em arritmia com mais de 48 horas, a cardioversão exige cuidado por risco de tromboembolismo. A regra prática é simples: se a FA não é recente, você anticoagula antes de pensar em cardioversão, ou faz a estratégia guiada por ecocardiograma transesofágico e anticoagulação adequada. Sem isso, o risco de embolia sobe e a cardioversão vira uma má ideia. No hipertireoidismo, a conduta de base é corrigir a causa: betabloqueador para controle sintomático e metimazol para tratar o excesso hormonal. Muitas vezes a fibrilação atrial melhora ou até reverte quando o paciente entra em eutireoidismo. Por isso, cardioversão nessa fase, em paciente estável, costuma ser deixada para depois. Então, neste momento, o passo correto é anticoagular. O gabarito E está certo porque o cenário combina FA persistente, duração maior que 48 horas e estabilidade clínica, o que obriga a prevenção de tromboembolismo antes de qualquer tentativa de reversão do ritmo.