Paciente de 73 anos, sexo feminino, tabagista, hipertensa, com história de perda ponderal importante nos últimos três meses. Relata correlação de dor abdominal com a alimentação, que começa 15 a 30 minutos após a alimentação e dura por cerca de 1 a 2 horas, independentemente do período do dia. Ao exame físico, encontra-se corada, hidratada, assintomática no momento da avaliação médica; abdômen globoso, flácido, indolor à palpação. Pulsos femorais amplos e simétricos, pulso poplíteo esquerdo diminuído em relação ao direito, pulsos podálicos esquerdos não palpáveis e direitos amplos. Nesse caso, entre as patologias vasculares, a principal hipótese diagnóstica é
- A)Síndrome do Ligamento Arqueado.
A síndrome do ligamento arqueado comprime o tronco celíaco e pode causar sintomas abdominais, mas não costuma explicar tão bem o quadro clássico de dor pós-prandial com perda ponderal em paciente com aterosclerose difusa.
- B)Síndrome do Quebra-Nozes.
A síndrome do quebra-nozes é compressão da veia renal esquerda, causando mais hematúria e dor lombar ou pélvica, não angina intestinal.
- C)Infarto Mesentérico.
Infarto mesentérico é um evento agudo, com dor abdominal intensa e súbita, geralmente desproporcional ao exame, e não um quadro crônico relacionado à alimentação.
- D)Angina Mesentérica.
Correta: a angina mesentérica, ou isquemia mesentérica crônica, dá dor pós-prandial, perda de peso e fatores de risco vasculares como tabagismo e hipertensão.
- E)Síndrome de Cockett.
A síndrome de Cockett é a compressão da veia ilíaca comum esquerda, relacionada a trombose venosa profunda em membro inferior, não a dor abdominal pós-refeição.
Gabarito: D
A dor abdominal que aparece depois de comer, principalmente em idosa tabagista e hipertensa, faz pensar em isquemia intestinal crônica por doença aterosclerótica das artérias mesentéricas. Esse quadro é chamado de angina mesentérica: a paciente se alimenta, o intestino precisa de mais fluxo sanguíneo para a digestão, mas as artérias estão estreitadas e a dor surge 15 a 30 minutos depois, durando um tempo e podendo levar a medo de comer e perda de peso. É quase um “angina do intestino”: o órgão pede sangue e não recebe o suficiente.