As opções a seguir apresentam condições contraindicadas para terapia com testosterona para homens trans, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Hematócrito > 48%.
Errada, porque hematócrito elevado aumenta o risco de policitemia e eventos trombóticos com testosterona.
- B)Insuficiência Cardíaca Congestiva descompensada.
Errada, pois insuficiência cardíaca descompensada pode piorar com retenção hídrica e sobrecarga cardiovascular.
- C)Lactação.
Errada, já que a lactação é considerada situação em que a testosterona deve ser evitada.
- D)Síndrome de Apneia do Sono não tratada.
Errada, porque a apneia do sono não tratada pode ser agravada pela terapia com testosterona.
- E)Histórico de Câncer de Mama na família.
Certa, porque histórico familiar de câncer de mama não é contraindicação absoluta para testosterona em homens trans.
Gabarito: E
A terapia com testosterona em homens trans exige uma triagem clínica cuidadosa, porque ela pode piorar alguns quadros que já estão “no limite do sistema”. Entre as situações em que o uso deve ser evitado ou adiado estão policitemia importante, insuficiência cardíaca descompensada, lactação e apneia do sono não tratada, pois a testosterona pode aumentar massa eritrocitária, reter líquido e agravar distúrbios respiratórios durante o sono. Na prática, a ideia não é “proibir por esporte”, mas reduzir risco. Por isso, se o paciente já tem hematócrito elevado, ICC descompensada ou apneia do sono sem tratamento, a testosterona pode piorar o cenário e precisa ser suspensa, postergada ou introduzida com muita cautela, conforme a situação clínica. O ponto da questão é que antecedente familiar de câncer de mama não é contraindicação para a terapia com testosterona. O que pesa de verdade é história pessoal de câncer hormônio-dependente, especialmente se houver doença ativa ou tratamento oncológico recente, porque aí o risco é outro. Ter parente com câncer de mama acende alerta para rastreamento e vigilância, mas não barra, por si só, a terapia. Em resumo: a banca quer que você diferencie contraindicação real de fator de atenção. Família com câncer de mama entra como vigilância, não como veto automático. É aquele detalhe que parece pegadinha de ambulatório, mas cai em prova com gosto.