Paciente de 60 anos apresenta déficit da memória e alteração da atenção e concentração, comprovados por testes cognitivos de rastreio. A característica que está presente no transtorno cognitivo leve e que diferencia essa condição de um quadro de demência é a
- A)ausência de resposta ao uso de anticolinesterásicos.
Errada, porque a resposta ao uso de anticolinesterásicos não define a diferença entre transtorno cognitivo leve e demência.
- B)presença de incapacidade na escala de avaliação das atividades básicas de vida diária.
Errada, porque incapacidade nas atividades básicas de vida diária sugere perda funcional mais importante, compatível com demência.
- C)presença de atrofia do hipocampo na ressonância magnética.
Errada, porque atrofia hipocampal pode ocorrer em doenças neurodegenerativas, mas não é o critério que separa transtorno cognitivo leve de demência.
- D)manutenção da capacidade de o indivíduo desempenhar suas atividades instrumentais de vida diária.
Certa, porque no transtorno cognitivo leve a autonomia funcional geral é preservada, especialmente nas atividades instrumentais de vida diária.
- E)ausência de comprometimento da linguagem, nos testes cognitivos.
Errada, porque ausência de comprometimento da linguagem não é o divisor clássico entre transtorno cognitivo leve e demência.
Gabarito: D
O transtorno cognitivo leve, ou comprometimento cognitivo leve, é aquela fase em que a pessoa já tem queixa e alteração objetiva em testes cognitivos, mas ainda preserva boa parte da autonomia. Em outras palavras: a memória e a atenção podem falhar, porém a vida continua organizada o suficiente para que a pessoa siga tocando suas tarefas do dia a dia sem depender de ajuda constante. A grande linha divisória em relação à demência é justamente o impacto funcional. Na demência, o déficit cognitivo já atrapalha de forma relevante a independência do indivíduo, especialmente nas atividades instrumentais de vida diária, como administrar dinheiro, tomar remédios, usar transporte, fazer compras e lidar com compromissos. No transtorno cognitivo leve, essas atividades costumam ser mantidas, ainda que com algum esforço ou estratégia de compensação. Por isso, o gabarito é a letra D. A manutenção da capacidade de desempenhar as atividades instrumentais de vida diária é o ponto que separa o transtorno cognitivo leve de um quadro demencial. A pessoa pode até perceber mais lentidão, esquecer nomes ou se distrair com facilidade, mas ainda consegue manter a rotina com independência. Na prática de prova, pense assim: se o cérebro já está dando sinais de cansaço, mas o indivíduo ainda consegue se virar na vida cotidiana, estamos mais perto do transtorno cognitivo leve do que da demência. Se já começou a precisar de ajuda para atividades do dia a dia, aí o quadro muda de patamar.