Paciente de 65 anos, sexo masculino, portador de DM tipo 2 mal controlado, é internado com cetoacidose diabética, porém euglicêmico. Legenda: inibidores do DPP-4 = inibidores da dipeptidilpeptidase 4; análogos do GLP1 = análogos do Glucagon-like Peptide-1; inibidores do SGLT2 = inibidores do cotransporte de sódio-glicose 2. Assinale a opção que indica a classe de droga que causa este quadro atípico de cetoacidose.
- A)inibidores do DPP-4.
Inibidores do DPP-4 não são a classe tipicamente ligada à cetoacidose euglicêmica.
- B)análogos do GLP1.
Análogos do GLP1 não costumam causar esse quadro, embora possam provocar perda de peso e efeitos gastrointestinais.
- C)inibidores do SGLT2.
Inibidores do SGLT2 são os clássicos associados à cetoacidose euglicêmica, porque aumentam a glicosúria e podem mascarar a hiperglicemia.
- D)sulfunilureias.
Sulfonilureias se associam mais a hipoglicemia do que a cetoacidose euglicêmica.
- E)biguanidas.
Biguanidas, como a metformina, não são a causa típica desse quadro; o alerta maior delas é outro, como acidose láctica em situações específicas.
Gabarito: C
A cetoacidose diabética costuma vir com hiperglicemia importante, mas existe uma forma mais traiçoeira: a cetoacidose euglicêmica. Nela, o paciente entra em acidose metabólica com cetonas elevadas, porém sem aquela glicose muito alta que costuma chamar atenção. Isso pode atrasar o diagnóstico se voce ficar olhando só para a glicemia capilar e achar que “não parece cetoacidose”. A classe de remédios mais associada a esse quadro é a dos inibidores do SGLT2, usados no DM2. Eles promovem perda de glicose pela urina, então a glicemia pode ficar relativamente baixa ou até normal, enquanto o organismo segue em estado de falta de insulina relativa, com maior lipólise e produção de corpos cetônicos. É a receita perfeita para uma cetoacidose com aparência enganadora. Na prática, o raciocínio é: paciente diabético, mal controlado, com acidose e cetose, mas sem hiperglicemia marcante, pense em SGLT2 até prova em contrário. Isso é um efeito adverso bem conhecido dessa classe, especialmente em situações como jejum, infecção, cirurgia ou redução de insulina. Por isso o gabarito é a letra C. As demais classes citadas não são as clássicas associadas a cetoacidose euglicêmica. Em prova, a banca gosta justamente dessa pegadinha: o quadro é de cetoacidose, mas a glicose não entrega o jogo.