Nos últimos anos, diversas terapias gênicas foram aprovadas para uso clínico. Considerando o mecanismo CRISPR, assinale a opção que indica a doença mais adequada para o desenvolvimento de uma única terapia efetiva para mais de 90% dos pacientes afetados.
- A)Distrofia de Duchenne.
Errada, porque a distrofia de Duchenne é geneticamente muito heterogênea e não costuma permitir uma única terapia editora válida para a maioria dos pacientes.
- B)SCID.
Errada, porque SCID pode ter múltiplas causas genéticas, o que reduz a chance de uma única estratégia CRISPR cobrir mais de 90% dos casos.
- C)Acondroplasia.
Certa, porque a acondroplasia é, na maioria esmagadora dos casos, causada por uma mutação recorrente no FGFR3, facilitando uma terapia única para quase todos os pacientes.
- D)Anemia de Fanconi.
Errada, porque a anemia de Fanconi envolve vários genes diferentes e grande variabilidade molecular, exigindo abordagens mais específicas.
- E)Fibrose Cística.
Errada, porque a fibrose cística tem alta heterogeneidade de mutações no CFTR, o que dificulta uma única terapia efetiva para a maioria absoluta dos pacientes.
Gabarito: C
A lógica da questão é simples: para uma terapia gênica com CRISPR ser eficaz em quase todos os pacientes, a doença precisa ter uma causa molecular muito parecida entre os afetados, de preferência uma mutação recorrente e bem definida. Quando a alteração genética é praticamente a mesma na maioria dos casos, fica muito mais fácil imaginar uma edição única, em vez de dezenas de estratégias diferentes para cada variante. Em genética, quando o defeito é altamente padronizado, o CRISPR vira quase um 'copia e cola' terapêutico. Na prática, isso favorece muito a acondroplasia. A acondroplasia é causada, na imensa maioria dos casos, por uma mutação pontual específica no gene FGFR3, especialmente a variante p.Gly380Arg. Como mais de 90% dos pacientes têm essa mesma alteração, uma única abordagem terapêutica voltada para esse alvo tem chance real de servir para a grande maioria dos casos. É justamente o tipo de doença em que a uniformidade molecular ajuda o desenho de uma terapia efetiva e abrangente. As outras alternativas são menos adequadas porque têm maior heterogeneidade genética ou envolvem cenários mais complexos. Doenças como fibrose cística, anemia de Fanconi e SCID podem ter muitas mutações diferentes e, em vários casos, múltiplos genes implicados. Já a distrofia de Duchenne também é geneticamente heterogênea, com deleções, duplicações e mutações variadas no DMD, o que dificulta uma única terapia universal para quase todos os pacientes. Então, o gabarito C está correto porque a acondroplasia reúne exatamente o que o CRISPR gosta: alvo bem definido e alta repetição da mesma mutação.