Mulher 60 anos relata perda de urina que toda vez que espirra ou tosse, porém sem urgência urinária. Nega nictúria. É diabética com dificuldade de controle dos níveis glicêmicos e hipertensa. O estudo urodinâmico mostrou pressão de perda urinária > 90cm H2O. O tipo de incontinência urinária é por
- A)transbordamento.
Errada, porque transbordamento costuma causar perda em pequenas quantidades com bexiga muito cheia e esvaziamento incompleto, o que não é o caso.
- B)bexiga neurogênica.
Errada, porque bexiga neurogênica geralmente se relaciona a alteração neurológica e pode dar urgência, retenção ou transbordamento, não esse padrão ao tossir.
- C)defeito esfincteriano uretral.
Errada, porque defeito esfincteriano uretral costuma ter pressão de perda baixa, sugerindo esfíncter fraco e não hipermobilidade.
- D)hipermobilidade do colo vesical.
Certa, porque a perda aos esforços com pressão de perda urinária acima de 90 cm H2O sugere hipermobilidade do colo vesical.
- E)hiperatividade do detrusor.
Errada, porque hiperatividade do detrusor causa incontinência de urgência, geralmente com vontade súbita de urinar, o que ela nega.
Gabarito: D
A paciente tem quadro clássico de incontinência urinária de esforço: perde urina quando tosse ou espirra, sem urgência urinária e sem nictúria. Isso aponta para falha do mecanismo de suporte da uretra, e não para contrações involuntárias da bexiga. Em mulheres mais velhas, isso é muito comum e costuma aparecer quando a uretra e o colo vesical ficam mais móveis do que deveriam. No estudo urodinâmico, a pressão de perda urinária acima de 90 cm H2O é um achado que favorece hipermobilidade do colo vesical. Em geral, quanto maior a pressão necessária para ocorrer a perda, mais você pensa em uretra que se desloca demais ao esforço, em vez de um esfíncter intrinsecamente fraco. É o tipo de questão em que o número ajuda bastante a separar os mecanismos. Já o defeito esfincteriano uretral costuma aparecer com pressão de perda mais baixa, porque o esfíncter não segura mesmo com pouca pressão. Então, aqui o raciocínio é: esforço + ausência de urgência + VLPP alto = incontinência de esforço por hipermobilidade do colo vesical. É a combinação que a banca gosta de cobrar, com cara de caso clínico simples, mas com uma pista urodinâmica importante.