A respeito do tratamento do ouvido médio, assinale a afirmativa correta.
- A)A vacina anti-H.influenzae tipo b e a antipneumocócica 13 valente são eficientes na prevenção da otite média aguda recorrente.
Errada, porque a vacinação reduz risco de otite média aguda, mas a formulação está imprecisa ao afirmar prevenção direta e específica da recorrência como regra absoluta.
- B)A localização mais frequente do colesteatoma congênito é fora do osso temporal.
Errada, porque o colesteatoma congênito se localiza tipicamente no osso temporal, geralmente no ouvido médio, e não fora dele.
- C)Os ossículos mais atingidos pelo processo crônico são em ordem decrescente: bigorna, seguida pelos estribo e martelo.
Certa, porque na otite média crônica a erosão ossicular acomete mais a bigorna, depois o estribo e por último o martelo.
- D)Nas otites médias crônicas as bactérias mais frequentes são os gram-positivos: P. aeruginosa, P.mirabilis, E.coli, S.aureus e mais raramente bactérias anaeróbias.
Errada, porque P. aeruginosa, P. mirabilis, E. coli e S. aureus não são todos gram-positivos; há um erro importante de classificação bacteriana.
- E)O tratamento da otite média com efusão se associa a miringoplastia à adenoidectomia.
Errada, porque o tratamento da otite média com efusão não é miringoplastia com adenoidectomia; quando há intervenção, o usual é miringotomia com tubo de ventilação, com adenoidectomia em casos selecionados.
Gabarito: C
No ouvido médio, o raciocínio cai muito em prova porque várias doenças fazem alteração dos ossículos e nem sempre de forma aleatória. Na otite média crônica, o processo inflamatório e a erosão óssea costumam atingir primeiro a bigorna, por ser a estrutura mais vulnerável, depois o estribo e, por fim, o martelo. É exatamente essa a lógica cobrada na letra C: a sequência de acometimento mais frequente é bigorna, estribo e martelo, em ordem decrescente. As demais alternativas misturam prevenção, anatomia e tratamento de forma incorreta. Por exemplo, a vacinação ajuda a reduzir otite média, mas a afirmação traz um recorte excessivamente simplificado. O colesteatoma congênito costuma aparecer dentro do osso temporal, e não fora dele. Já a microbiologia da otite média crônica costuma envolver bactérias como Pseudomonas aeruginosa e Proteus, mas elas não são gram-positivas, e sim gram-negativas, o que derruba a assertiva. Na otite média com efusão, o tratamento costuma ser clínico e, quando indicado, cirúrgico com miringotomia e colocação de tubo de ventilação, com adenoidectomia em casos selecionados. Miringoplastia não é o procedimento clássico para esse quadro. Então, o ponto-chave da questão é lembrar que a erosão ossicular segue um padrão previsível, e a bigorna quase sempre leva a pior nessa história.