Uma paciente de 37 anos tem queixa de dor em hipogástrio de leve intensidade, febre, náuseas e corrimento vaginal. Ao exame ginecológico houve dor à manipulação do colo e da região anexial esquerda. A dosagem de beta-HCG foi negativa. Os exames laboratoriais evidenciaram leve leucocitose, proteína C reativa elevada e urinocultura negativa. A ultrassonografia transvaginal observou espessamento da tuba uterina esquerda. Nesse caso, o tratamento mais adequado é
- A)exérese cirúrgica da tuba esquerda.
Errada: exérese da tuba não é tratamento de rotina para salpingite/DIP, ficando reservada para complicações como abscesso rompido ou necrose grave.
- B)ceftriaxone, doxiciclina e metronidazol.
Certa: esse esquema cobre os principais agentes da DIP, incluindo gonococo, clamídia e anaeróbios, sendo a conduta empírica adequada no caso descrito.
- C)creme vaginal com clindamicina.
Errada: creme vaginal com clindamicina pode ser usado em algumas vaginoses, mas não trata infecção pélvica alta nem salpingite.
- D)apendicectomia de emergência.
Errada: apendicectomia só faria sentido se o quadro sugerisse apendicite, o que não é o caso diante do exame ginecológico e da imagem tubária.
- E)internação e metotrexato sistêmico.
Errada: metotrexato é usado em gravidez ectópica selecionada, mas o beta-HCG negativo praticamente afasta essa hipótese.
Gabarito: B
O quadro descreve uma doença inflamatória pélvica (DIP), provavelmente uma salpingite esquerda: dor em hipogástrio, febre, corrimento vaginal, dor à mobilização do colo, dor anexial, leucocitose, PCR elevada e ultrassom com espessamento tubário. Em prova, esse conjunto quase grita infecção ascendente do trato genital superior, e o beta-HCG negativo ajuda a afastar gestação ectópica, que também pode dar dor pélvica. Na DIP, o tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível e cobrir os agentes mais comuns: Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e anaeróbios da flora vaginal. Por isso, o esquema clássico com ceftriaxone, doxiciclina e metronidazol é o mais adequado para terapia empírica ambulatorial nos casos leves a moderados, quando a paciente está estável e sem sinais de abdome agudo ou abscesso importante. O raciocínio aqui é simples: não é caso de cirurgia, nem de tratamento isolado para vaginose, nem de pensar em aborto ectópico quando o beta-HCG veio negativo. A FGV gosta muito de cobrar esse diagnóstico com sinais clínicos bem “didáticos” de DIP e, aí, a conduta certa é antibiótico de amplo espectro, sem enrolar. Resumo de prova: dor pélvica + febre + corrimento + dor à mobilização do colo = DIP até prova em contrário. Se a paciente estiver hemodinamicamente estável e sem complicações, o tratamento é medicamentoso, cobrindo gonococo, clamídia e anaeróbios.