Paciente feminina, 62 anos, procura atendimento na emergência com queixa de fadiga, dispneia aos pequenos esforços e ortopneia. História prévia de hipertensão arterial, dislipidemia e infarto agudo do miocárdio. Parou de tomar as medicações porque achava que não deveria tomar tantos remédios. Ao exame, apresentava PA: 170 x 110mmHg, FC: 92 BPM, ritmo cardíaco regular em galope, estertores bilaterais na ausculta pulmonar e edema bilateral de membros inferiores. Após estabilização do quadro clínico e otimização do tratamento, a paciente deve receber alta com medicações de uso contínuo. Na condição apresentada pela paciente, assinale a opção que indica a medicação que reduz a mortalidade.
- A)Digoxina.
Digoxina pode melhorar sintomas e reduzir internações em alguns pacientes, mas não é droga clássica de redução de mortalidade.
- B)Anlodipina.
Anlodipina é anti-hipertensivo, mas não traz benefício de sobrevida na insuficiência cardíaca e não é a escolha para esse objetivo.
- C)Enalapril.
Enalapril reduz mortalidade por bloquear o sistema renina-angiotensina e diminuir remodelamento cardíaco na insuficiência cardíaca e no pós-infarto.
- D)Hidroclorotiazida.
Hidroclorotiazida pode ajudar na pressão e na congestão leve, mas não é medicação com benefício comprovado de mortalidade nesse cenário.
- E)Furosemida.
Furosemida alivia edema e congestão, mas seu papel é sintomático, sem redução de mortalidade.
Gabarito: C
A paciente do enunciado tem um quadro típico de insuficiência cardíaca descompensada, provavelmente por cardiopatia isquêmica prévia e abandono das medicações. Depois de estabilizar a congestão e a pressão, a alta deve incluir tratamento de base para reduzir novos eventos e melhorar sobrevida, e aqui entra a lógica clássica da insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção reduzida: algumas drogas aliviam sintomas, mas nem todas mudam mortalidade. Os medicamentos que realmente reduzem mortalidade na insuficiência cardíaca são os que atuam na remodelação e na ativação neuro-hormonal, como os inibidores da ECA, betabloqueadores específicos, antagonistas de mineralocorticoide, inibidores de SGLT2 e, em alguns casos, sacubitril/valsartana. Entre as opções dadas, o enalapril é o representante mais importante dessa estratégia, porque bloqueia o sistema renina-angiotensina, diminui pós-carga, reduz remodelamento ventricular e melhora desfechos. Isso é especialmente relevante em paciente com hipertensão, antecedente de infarto e sinais de congestão, porque a terapia não deve se limitar a “tirar água”, e sim a proteger o coração no longo prazo. Na prática de prova, vale lembrar: diurético melhora sintomas, mas não costuma ser a resposta quando a pergunta fala em redução de mortalidade. Então, o gabarito C está correto porque o enalapril é droga de manutenção com benefício prognóstico na insuficiência cardíaca e também é muito útil no contexto pós-infarto e hipertensão, onde a prevenção de remodelamento e de novos eventos faz toda a diferença.