O vírus SARS-CoV-2, o novo coronavírus, causador da COVID-19, afetou milhões de pessoas em todo mundo, deixando evidente o papel crucial do diagnóstico laboratorial na contenção da transmissão e no prognóstico da doença. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
- A)O aumento da proteína C reativa foi correlacionado à diminuição da gravidade do paciente com COVID-19.
Errada: a proteína C reativa aumenta com inflamação e costuma se associar a maior gravidade, não a diminuição da gravidade.
- B)O aumento da relação neutrófilo/linfócito indica um pior prognóstico do paciente com COVID-19.
Certa: o aumento da relação neutrófilo/linfócito é marcador de inflamação sistêmica e se relaciona a pior prognóstico na COVID-19.
- C)A dosagem da enzima desidrogenase láctica é utilizada para o acompanhamento do processo inflamatório na COVID-19.
Errada: a LDH pode estar elevada e indicar dano tecidual e gravidade, mas a frase está genérica e não é o marcador clássico de acompanhamento inflamatório isoladamente.
- D)A diminuição da dosagem do Dímero-D indica uma recuperação da taxa de filtração renal, em pacientes com COVID-19.
Errada: o dímero-D se relaciona a ativação da coagulação e pior prognóstico, não a recuperação da taxa de filtração renal.
- E)A diminuição do número de plaquetas (plaquetopenia) indica um melhor prognóstico do paciente com COVID-19.
Errada: plaquetopenia em COVID-19 costuma ser sinal de gravidade e pior desfecho, não de bom prognóstico.
Gabarito: B
Na COVID-19, alguns exames laboratoriais ajudam a estimar inflamação e risco de piora clínica, mesmo sem fechar diagnóstico sozinhos. Entre eles, destacam-se PCR, relação neutrófilo/linfócito, LDH, dímero-D, ferritina e plaquetas, porque costumam acompanhar a resposta inflamatória sistêmica e a gravidade do quadro. A relação neutrófilo/linfócito (NLR) sobe quando há neutrofilia e/ou linfopenia, um padrão associado a inflamação mais intensa e pior evolução em muitos pacientes com COVID-19. Em outras palavras: quando o sistema imune entra em modo de alerta exagerado, a conta neutrófilo dividido por linfócito costuma aumentar e isso não é um bom sinal. A alternativa B está correta por esse motivo. Um NLR elevado se relaciona com maior gravidade, maior chance de UTI, ventilação mecânica e pior prognóstico em diversos estudos observacionais sobre COVID-19. Não é um marcador específico do vírus, mas é útil como indicador de risco clínico. Já outros marcadores também podem se alterar na doença, mas com interpretação diferente: PCR e LDH tendem a subir com inflamação e lesão tecidual, o dímero-D se associa a trombose e gravidade, e plaquetopenia costuma indicar pior evolução. Ou seja, a banca quer que você reconheça o padrão: em COVID-19 grave, vários exames “apontam para cima” ou caem no sentido do mau prognóstico, não da melhora.