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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Durante o atendimento de uma mulher de 38 anos com queixas de constipação crônica desde criança e que não apresenta melhora, mesmo com introdução de dieta rica em fibras, foram avaliados alguns exames realizados há 1 mês atrás. Na defecorressonância e na manometria anorretal foram evidenciados ausência do relaxamento do músculo puborretal e um aumento discreto da complacência retal. Assinale o melhor tratamento indicado.

Gabarito: A

A paciente tem um quadro típico de constipação funcional por dissinergia do assoalho pélvico, também chamada de evacuação obstruída. O detalhe-chave do enunciado é a ausência de relaxamento do músculo puborretal na defecorressonância e na manometria anorretal, achado que mostra que o problema não é falta de fibra na dieta, mas um erro de coordenação na hora de evacuar. Nessa situação, o melhor tratamento é a terapia com biofeedback. Ela treina a paciente a reconhecer e coordenar melhor a contração e o relaxamento da musculatura anorretal durante a evacuação, funcionando como uma espécie de "reeducação" do ato de defecar. Em concurso, quando aparece dissinergia do assoalho pélvico, o primeiro pensamento deve ser biofeedback, porque é a medida com melhor resposta clínica. Procedimentos mais invasivos, como secção do puborretal, toxina botulínica, eletroestimulação ou dilatação anal, não são a conduta de escolha inicial e ficam restritos a situações selecionadas ou refratárias. A ideia central é simples: se o intestino até empurra, mas a saída não relaxa, o problema é de coordenação - e isso se trata com treinamento, não com corte logo de cara.

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