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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo feminino, 59 anos, com diagnóstico de carcinoma de bexiga metastático, em uso de imunoterapia (immune checkpoint inhibitor), interna com história de diarreia líquida há 13 dias, sem muco ou sangue, odor fétido, associada a dor abdominal, distensão do abdome e febre. À admissão relatava tratamento recente para sinusite bacteriana. A tomografia computadorizada de abdome e pelve revelou pancolite. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: E

Em paciente oncológico em uso de imunoterapia, diarreia aguda não deve ser tratada como “diarreia qualquer”. Os immune checkpoint inhibitors podem causar colite imunomediada, com dor abdominal, febre, diarreia e até pancolite na imagem. Ou seja: o remédio que ajuda o sistema imune a atacar o tumor também pode fazer o intestino entrar na briga. Mas a história não para aí. Este caso ainda traz um fator clássico de infecção: antibiótico recente para sinusite bacteriana. Isso aumenta muito a suspeita de infecção por Clostridioides difficile, uma causa típica de diarreia associada a antibióticos, frequentemente com odor fétido, dor abdominal, febre e colite importante, inclusive pancolite. Por isso, em uma paciente com câncer, imunoterapia e antibiótico recente, as duas causas mais prováveis entram no topo da lista: colite por imunoterapia e C. difficile. A tomografia com pancolite reforça o quadro de colite, mas não separa sozinha a origem infecciosa da imunomediada. Na prática, a investigação costuma incluir pesquisa para toxina/PCR de C. difficile e avaliação de colite imunomediada, porque o manejo muda bastante. Assim, o item correto é o que reconhece diarreia aguda e aponta como principais hipóteses tanto a infecção por C. difficile quanto o efeito adverso da imunoterapia. É a clássica questão que mistura oncologia com gastro e pede que você pense em mais de um culpado no mesmo cenário.

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