Em relação à rinossinusite fúngica alérgica, é correto afirmar que
- A)na mucosa há predomínio de neutrófilos, com muitas hifas e invasão da membrana basal da mesma por fungos.
Errada, porque a rinossinusite fúngica alérgica não tem predominância de neutrófilos nem invasão da membrana basal; o padrão é eosinofílico e não invasivo.
- B)são recomendados antifúngicos tópicos e sistêmicos por 4 a 6 semanas.
Errada, porque antifúngicos tópicos ou sistêmicos não são a conduta padrão nessa doença, já que o tratamento principal é cirúrgico e anti-inflamatório.
- C)na tomografia computadorizada há envolvimento de várias cavidades, erosões ósseas por compressão e áreas heterogêneas de hiperatenuação.
Certa, porque a tomografia costuma mostrar doença multissinusal com conteúdo heterogêneo hiperatenuante e erosão óssea por pressão, achado clássico da forma alérgica fúngica.
- D)é uma doença aguda com rinorreia escura, causada por fungos do gênero Mucor.
Errada, porque não se trata de doença aguda por Mucor; isso lembra mucormicose, que é invasiva e grave, especialmente em imunossuprimidos.
- E)é uma rinossinusite crônica sem polipose, com rinorreia espessa, aglomerados fúngicos e sem reação eosinofílica.
Errada, porque a rinossinusite fúngica alérgica geralmente cursa com pólipos e reação eosinofílica, além de muco espesso, e não é uma sinusite sem polipose.
Gabarito: C
A rinossinusite fúngica alérgica é uma forma crônica de rinossinusite em que o problema principal não é a invasão do fungo, mas a reação inflamatória alérgica exagerada ao material fúngico. O paciente costuma ter obstrução nasal, rinorreia espessa, pólipos e sinusite de longa evolução, muitas vezes com acometimento de mais de um seio da face. Na tomografia, o achado que mais chama atenção é o conteúdo heterogêneo hiperatenuante dentro dos seios, além de remodelamento e erosão óssea por pressão, e não por invasão agressiva. Esse aspecto acontece porque há acúmulo de muco espesso, eosinófilos e restos fúngicos, formando aquele quadro bem típico de sinusite crônica alérgica fúngica. Por isso, a alternativa C está correta: ela descreve exatamente o padrão radiológico esperado, com envolvimento de várias cavidades, erosões ósseas por compressão e áreas heterogêneas de hiperatenuação. Em prova, sempre desconfie quando a questão mistura fungo com invasão tecidual importante, porque isso já aponta para outros quadros, como as formas invasivas. O tratamento costuma ser cirurgia para limpeza dos seios e retirada do material alergênico, além de corticoide, e não antifúngico como regra. O ponto-chave é lembrar: aqui o fungo funciona mais como gatilho alérgico do que como invasor.