Segundo a Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, de 2023, assinale a opção que apresenta recomendação IA para indicação de cardiodesfibrilador implantável (CDI) na prevenção primária em paciente cardiopata.
- A)Cardiopatia arritmogênica do ventrículo direito e síncope presumidamente por arritmia ventricular, se sobrevida esperada maior que 1 ano.
Errada, porque cardiomiopatia arritmogênica com síncope sugere alto risco e pode indicar CDI, mas o enunciado não descreve a indicação clássica de prevenção primária IA com esse recorte.
- B)Cardiopatia chagásica crônica com episódios de taquicardia ventricular sustentada estável com fração de ejeção de ventrículo esquerdo < 35% em tratamento clínico otimizado.
Errada, porque taquicardia ventricular sustentada estável já se aproxima de prevenção secundária, e a formulação não corresponde à recomendação IA de prevenção primária cobrada pela diretriz.
- C)Cardiopatia isquêmica com história de infarto agudo do miocárdio > 40 dias, sob tratamento farmacológico otimizado, sem isquemia passível de revascularização e expectativa de vida de, pelo menos, 1 ano, associada à fração de ejeção de ventrículo esquerdo ≤ 35% e Classe Funcional II-III.
Certa, porque reúne os critérios de cardiopatia isquêmica com IAM há mais de 40 dias, terapia otimizada, sem isquemia revascularizável, expectativa de vida ≥ 1 ano, FEVE ≤ 35% e classe funcional II-III.
- D)Cardiomiopatia hipertrófica com hipotensão anormal no esforço, na presença de fatores de risco adicionais, desde que expectativa de vida > 1 ano.
Errada, porque cardiomiopatia hipertrófica usa estratificação de risco específica e não se resume a hipotensão ao esforço com fatores adicionais como indicação universal de CDI IA.
- E)Cardiopatia não isquêmica na presença de alterações genéticas de alto risco associado a dois ou mais fatores: fração de ejeção do ventrículo esquerdo ≤ 45%, taquicardia ventricular não sustentada, mutação de alto risco e sexo masculino.
Errada, porque mistura critérios genéticos e clínicos de alto risco em cardiopatia não isquêmica, mas a formulação não corresponde à indicação IA clássica pedida para prevenção primária.
Gabarito: C
O CDI na prevenção primária entra quando o paciente ainda não teve uma parada ou uma taquicardia ventricular sustentada com instabilidade, mas tem risco alto o bastante de morte súbita. A diretriz de 2023 segue o raciocínio clássico: o benefício é maior nos pacientes com cardiopatia isquêmica, fração de ejeção reduzida, tempo adequado após o infarto e tratamento clínico otimizado. Ou seja, não basta “ter doença no coração”; precisa haver um cenário com risco arrítmico bem definido. Na cardiopatia isquêmica, a recomendação forte aparece para quem teve infarto há mais de 40 dias, está em tratamento farmacológico otimizado, não tem isquemia que ainda possa ser revascularizada, tem expectativa de vida de pelo menos 1 ano, fração de ejeção do ventrículo esquerdo menor ou igual a 35% e sintomas em classe funcional II ou III. É o perfil clássico de prevenção primária com melhor respaldo de evidência. Por isso a alternativa C está correta: ela reproduz os critérios de indicação consagrados pela diretriz, com a combinação de tempo pós-infarto, baixa fração de ejeção, sintomas compatíveis e terapia otimizada. Em concurso, esse tipo de questão costuma testar justamente a leitura fina dos critérios, porque trocar um detalhe já derruba a indicação. As demais alternativas misturam situações que podem até justificar CDI em alguns contextos, mas não com esse pacote exato de recomendação IA para prevenção primária. Na prática, a banca quer ver se você reconhece o “núcleo duro” da indicação, especialmente na cardiopatia isquêmica.