Paciente gênero masculino, 23 anos, compareceu à emergência com relato de agressão. Ao exame clínico, observa-se mordida aberta anterior, mal oclusão, mobilidade de maxila em 3 dimensões, características clínicas de uma fratura Le Fort 1. Para a confirmação do diagnóstico foi solicitada tomografia computadorizada. Na tomografia, observa-se fratura
- A)no nível da abertura piriforme, envolvendo a parede posterior do seio maxilar, os ossos nasais e o ligamento cantal medial.
Errada, porque descreve um traço mais alto, com envolvimento do ligamento cantal medial e ossos nasais, compatível com fratura mais complexa da face média, não Le Fort I.
- B)piramidal, sendo o vértice da pirâmide a sutura frontonasal.
Errada, pois a piramidal com vértice na sutura frontonasal corresponde ao padrão de Le Fort II.
- C)que se inicia no vértice da pirâmide nasofrontal, envolvendo as paredes anteriores e posteriores do seio maxilar, a parede nasal lateral e as porções peterigoideas.
Errada, porque o traço iniciado no vértice nasofrontal com acometimento de estruturas nasais e orbitárias é típico de Le Fort III.
- D)envolvendo a sutura frontonasal, os ossos nasais, as lacrimais e o rebordo infraorbitário.
Errada, já que envolve sutura frontonasal, ossos nasais, lacrimais e rebordo infraorbitário, quadro clássico de Le Fort II.
- E)no nível da abertura pirifome, envolvendo as paredes anteriores e laterais do seio maxilar, a parede nasal lateral e as porções pterigoideas.
Certa, pois Le Fort I é uma fratura baixa, ao nível da abertura piriforme, envolvendo paredes do seio maxilar, parede nasal lateral e porções pterigoideas.
Gabarito: E
As fraturas de Le Fort são um clássico da face e costumam cair quando a banca quer ver se você sabe reconhecer o trajeto da linha de fratura. Na Le Fort I, o traço fica em um nível baixo, separando o maxilar superior da base do crânio, com passagem pela abertura piriforme, pela parede lateral do nariz, pelas paredes anterior e lateral do seio maxilar e chegando às porções pterigoideas. Por isso o achado clínico típico é justamente a mobilidade da maxila, mordida aberta anterior e alteração da oclusão. Essa fratura é chamada de horizontal ou de “palato flutuante”, porque o segmento alveolar e o palato duro podem se mover como um bloco. Não é raro o paciente chegar dizendo que a mordida “entortou” depois de trauma, e o exame físico já acende a luz amarela antes mesmo da tomografia. O gabarito é a alternativa E porque ela descreve o trajeto anatômico compatível com Le Fort I: abertura piriforme, paredes anteriores e laterais do seio maxilar, parede nasal lateral e porções pterigoideas. As fraturas Le Fort II e III sobem mais, envolvendo região naso-orbitária e suturas da face média, então não servem para esse quadro. Em resumo: se a fratura está baixa, atravessando maxila e seio maxilar, pense em Le Fort I. Se sobe para nariz e órbita, aí o caso já ganhou mais drama do que deveria.