Paciente do sexo masculino, 78 anos, procura atendimento na emergência com dor torácica, dispneia e hemoptise. Sem outras queixas. Tem como comorbidades hipertensão arterial, DPOC e dislipidemia. Faz acompanhamento no Serviço de Oncologia por diagnóstico de neoplasia maligna de próstata há 6 anos com metástase óssea. Ao exame: lúcido, orientado no tempo e no espaço, FR 25 IRPM, FC 107 BPM, PA 130X95 mmHG, RCR, sem sopros ou extra-sístoles. MVUA, sem RA. Empastamento em panturrilha esquerda e edema de membro inferior esquerdo. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é
- A)pneumonia.
Pneumonia pode causar febre, tosse e consolidação pulmonar, mas não explica bem a combinação de hemoptise com edema unilateral de perna e forte risco trombótico.
- B)pneumotórax.
Pneumotórax costuma causar dor torácica súbita e redução do murmúrio vesicular, achados que não aparecem no caso, além de não justificar o edema de membro inferior.
- C)tromboembolismo pulmonar.
Tromboembolismo pulmonar é o diagnóstico mais provável porque há dispneia, dor torácica, hemoptise, taquicardia e sinais de trombose venosa profunda em paciente com câncer.
- D)edema agudo do pulmão.
Edema agudo do pulmão costuma vir com congestão, estertores e quadro de insuficiência cardíaca, o que não bate com a ausculta normal e a perna unilateral edemaciada.
- E)infarto agudo do miocárdio.
Infarto agudo do miocárdio pode dar dor torácica e dispneia, mas hemoptise e sinais de TVP apontam muito mais para evento tromboembólico pulmonar.
Gabarito: C
Neste caso, o quadro aponta para um tromboembolismo pulmonar, que costuma chegar com uma tríade bem sugestiva: dor torácica, dispneia e hemoptise. Aqui ainda tem um detalhe que acende a luz amarela de vez: o paciente apresenta empastamento e edema em membro inferior esquerdo, sugerindo trombose venosa profunda como fonte do êmbolo. Em idosos, especialmente com câncer ativo, o risco trombótico sobe bastante, porque neoplasia é um estado de hipercoagulabilidade. Então, juntando sintomas respiratórios agudos com sinais de TVP, a hipótese mais provável fica bem forte. O câncer de próstata metastático é um fator de risco importante para tromboembolismo venoso, assim como imobilidade, idade avançada e doenças crônicas. A fisiopatologia é simples de lembrar: um trombo se forma nas veias profundas da perna, migra pela circulação venosa e impacta a circulação pulmonar, causando taquipneia, taquicardia, dor torácica pleurítica e, às vezes, hemoptise. Nem sempre a ausculta vem com algo exuberante, e isso engana muita gente que procura sinais de pneumonia ou edema pulmonar. A FGV gosta de cobrar raciocínio clínico com associação de fatores de risco e achados do exame físico. Aqui, a presença de edema unilateral de perna é quase um bilhete premiado para pensar em trombose venosa profunda associada a embolia pulmonar. Em prova, quando houver dispneia súbita, taquicardia e sinais de TVP, pense primeiro em tromboembolismo pulmonar antes de sair distribuindo antibiótico ou diurético. Resumo de prova: paciente oncológico + perna unilateral inchada + dispneia + hemoptise = tromboembolismo pulmonar até prova em contrário. O gabarito C está correto porque integra fator de risco, fonte do trombo e manifestações clínicas típicas do evento.