Menino de 8 anos estava brincando, em sua bicicleta, na rua, quando foi atropelado por um carro em alta velocidade. Foi trazido às pressas ao pronto-socorro com sinais de trauma significativo, está agitado, dispneico, com sangramento nasal e apresenta deformidade no membro superior direito. A abordagem inicial mais adequada para o atendimento do paciente é
- A)chamar imediatamente um cirurgião pediátrico para avaliar o paciente e decidir sobre a necessidade de cirurgia imediata.
Errada, porque chamar cirurgia pediátrica antes da estabilização inicial inverte a prioridade do trauma e pode atrasar o cuidado que salva vida.
- B)iniciar a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação, realizando uma avaliação inicial ABCDE (Airway, Breathing, Circulation, Disability, Exposure).
Certa, pois no politrauma a conduta inicial é seguir o ABCDE, estabilizando vias aéreas, respiração e circulação antes de qualquer exame complementar.
- C)realizar uma radiografia simples do braço direito para confirmar a suspeita de fratura e imobilizar o membro com uma tala.
Errada, porque imagem do membro e imobilização só vêm depois da avaliação primária e da estabilização do paciente.
- D)solicitar um ultrassom abdominal para verificar a presença de lesões internas e órgãos comprometidos devido ao trauma.
Errada, pois ultrassom abdominal pode ser útil na investigação secundária, mas não substitui a abordagem inicial do trauma.
- E)despir imediatamente o paciente por completo a fim de pesquisar outras lesões associadas ao trauma.
Errada, porque a exposição faz parte do ABCDE, mas deve ser feita com controle térmico e sem negligenciar a estabilização inicial.
Gabarito: B
Em trauma pediátrico, a primeira regra é simples: primeiro salva, depois investiga. Quando a criança chega após atropelamento em alta velocidade, agitada, dispneica e com sinais de sangramento, voce deve pensar em risco imediato de vida e seguir a abordagem sistematizada do trauma, baseada no protocolo ABCDE do ATLS. Isso ajuda a identificar e tratar, na ordem, problemas de via aérea, respiração, circulação, déficit neurológico e exposição completa, sempre com reavaliação contínua. Na prática, não adianta correr para radiografia do braço, ultrassom ou especialista antes de garantir que o paciente esteja ventilando e perfundindo adequadamente. Em trauma, uma fratura visível pode esperar alguns minutos; uma via aérea comprometida ou um pneumotórax hipertensivo, não. Por isso a conduta inicial correta é estabilizar A, B e C, sem perder de vista que a criança pode piorar rápido. O ABCDE é um pilar doutrinário do atendimento ao politraumatizado e é cobrado de forma clássica em prova. Em pediatria, isso vale ainda mais, porque a reserva fisiológica é menor e a descompensação pode acontecer de forma súbita. A lógica é priorizar o que mata primeiro, não o que aparece mais bonito no exame físico. Assim, o gabarito B está correto porque descreve exatamente a abordagem inicial recomendada no trauma: avaliação e estabilização sistematizadas das vias aéreas, respiração e circulação, dentro do exame primário ABCDE. Primeiro você abre a porta da sobrevivência; depois cuida do resto.