Leia o trecho a seguir. A hipertensão arterial (HA) é uma doença crônica não transmissível (DCNT) definida por níveis pressóricos, em que os benefícios do tratamento (não medicamentoso e/ ou medicamentoso) superam os riscos. É caracterizada por elevação persistente da pressão arterial (PA), ou seja, PA sistólica (PAS) maior ou igual a 140mmHg e/ou PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90mmHg, medida com a técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 As afirmativas a seguir, acerca de alguns fatores de risco importantes para Hipertensão Arterial, estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Genética: os fatores genéticos podem influenciar os níveis de PA entre 30-50%; entretanto, devido à ampla diversidade de genes, às variantes genéticas estudadas até o momento e à miscigenação em nosso país, não foram identificados dados uniformes com relação a tal fator.
Certa: a genética realmente influencia a pressão arterial, mas é um fator poligênico e com dados menos uniformes na população brasileira.
- B)Idade: com o envelhecimento, a PAS torna-se um problema mais significante, resultante do enrijecimento progressivo e da perda de complacência das grandes artérias. Em torno de 65% dos indivíduos acima dos 60 anos apresentam HA, e deve-se considerar a transição epidemiológica que o Brasil vem sofrendo, com um número ainda maior de idosos (≥ 60 anos) nas próximas décadas, o que acarretará um incremento substancial da prevalência de HA e de suas complicações.
Certa: a idade aumenta o risco de hipertensão, principalmente pela rigidez arterial e pela elevação da pressão sistólica com o envelhecimento.
- C)Sexo: em faixas etárias mais jovens, a PA é mais elevada entre mulheres, mas a elevação pressórica por década se apresenta maior nos homens. Assim, na sexta década de vida, a PA entre os homens costuma ser mais elevada e a prevalência de HA, maior. Em ambos os sexos, a frequência de HA aumenta com a idade.
Errada: a banca inverteu a tendência mais aceita, pois não é o padrão afirmar PA mais elevada em mulheres jovens e maior elevação por década nos homens como regra geral.
- D)Sobrepeso/Obesidade: parece haver uma relação direta, contínua e quase linear entre o excesso de peso (sobrepeso/obesidade) e os níveis de PA. Apesar de décadas de evidências inequívocas de que a circunferência de cintura (CC) fornece informações independentes e aditivas ao índice de massa corpórea (IMC) para predizer morbidade e risco de morte, tal medida não é rotineiramente realizada na prática clínica. Recomenda-se que os profissionais de saúde sejam treinados para realizar adequadamente essa simples medida e considerá-la como um importante “sinal vital” na prática clínica.
Certa: excesso de peso e circunferência abdominal maior se relacionam diretamente com aumento da pressão e maior risco cardiovascular.
- E)Ingestão de Sódio e Potássio: a ingestão elevada de sódio tem-se mostrado um fator de risco para a elevação da PA, e consequentemente, da maior prevalência de HA. A literatura científica mostra que a ingestão de sódio está associada a DCV e AVE, quando a ingestão média é superior a 2g de sódio, o equivalente a 5 g de sal de cozinha.
Certa: maior ingestão de sódio eleva a pressão arterial e se associa a maior risco de DCV e AVE; a referência de 2 g de sódio/dia é clássica nas diretrizes.
Gabarito: C
A hipertensão arterial é um problema muito cobrado em prova porque mistura clínica com epidemiologia. A ideia central é simples: alguns fatores aumentam a chance de a pressão subir ao longo da vida, como idade, excesso de peso, alimentação rica em sódio, sedentarismo e história familiar. A banca costuma pegar exatamente esses fatores e testar se você sabe o que é consenso e o que foi “embelezado” demais no texto. Na Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2020, a idade aparece como um fator fortíssimo, porque o envelhecimento leva ao enrijecimento das grandes artérias, elevando principalmente a pressão sistólica. Também são clássicos o sobrepeso/obesidade e o consumo elevado de sódio, que se associam ao aumento pressórico e ao maior risco cardiovascular. O ponto da questão é que a alternativa C trocou o padrão esperado entre os sexos. Em geral, em faixas etárias mais jovens, os homens já apresentam PA mais elevada e, com o passar dos anos, essa diferença tende a se acentuar, especialmente após a menopausa nas mulheres. Então a afirmação de que a pressão é mais elevada entre mulheres nos jovens está fora do que costuma ser cobrado como regra geral nas diretrizes e revisões. Por isso, o gabarito é a letra C: ela é a exceção por trazer uma inversão do comportamento epidemiológico habitual. Em prova, quando a banca cita fatores de risco, desconfie de frases absolutas ou de comparações entre homens e mulheres que contrariem o padrão clássico.