Ao fazer exame especular em uma paciente assintomática, o ginecologista encontra imagem polipoide com superfície brilhosa e coloração rosada, se exteriorizando pelo canal cervical. Nesse caso, a conduta correta é
- A)prescrever anticoncepcionais orais combinados de forma contínua por três meses.
Errada: anticoncepcional oral não resolve um pólipo cervical e não é conduta inicial para investigação de uma lesão polipoide visível.
- B)administrar análogos de GnRH por seis meses e posteriormente realizar colposcopia de controle.
Errada: análogos de GnRH não têm indicação para pólipo cervical e colposcopia não é o exame mais adequado para definir a origem intrauterina da lesão.
- C)submeter a paciente a histerectomia total abdominal devido ao alto risco de malignização.
Errada: histerectomia é medida radical e sem indicação inicial aqui, pois a maioria dos pólipos cervicais é benigna.
- D)realizar histeroscopia para avaliar origem da lesão e presença de lesões semelhantes na cavidade uterina.
Certa: a histeroscopia permite definir a origem da lesão e pesquisar outras lesões na cavidade uterina, além de orientar eventual retirada e anatomopatológico.
- E)solicitar tomografia computadorizada da pelve e abdome para pesquisar metástases.
Errada: tomografia não é exame de rotina para uma lesão polipoide cervical com aspecto benigno, pois não é a melhor forma de avaliar essa situação.
Gabarito: D
Uma imagem polipoide, rosada, brilhante e saindo pelo canal cervical sugere muito mais um pólipo cervical do que uma lesão maligna de saída. Em paciente assintomática, o raciocínio não é sair correndo para tratamento hormonal, nem imaginar metástase: o primeiro passo é entender de onde a lesão vem e se existe mais alguma alteração associada no útero. Por isso, a histeroscopia é a conduta correta. Ela permite visualizar a cavidade uterina, confirmar a origem do pólipo e procurar lesões semelhantes dentro do endométrio, já que pólipos cervicais podem coexistir com pólipos endometriais. Na prática, a histeroscopia é o exame que “abre a porta” e mostra se o problema está só no colo ou se há algo além. A conduta pode incluir retirada da lesão e envio para anatomopatológico, porque toda lesão polipoide retirada deve ser analisada. O risco de malignidade em pólipo cervical existe, mas é baixo, especialmente quando a paciente é assintomática; por isso, histerectomia de saída seria exagero. Em prova, guarde a lógica: lesão polipoide visível no colo pede investigação da origem, e a histeroscopia é a ferramenta ideal para isso. É a resposta mais elegante, menos dramática e mais correta.