A plastia valvar mitral é considerada uma boa opção no tratamento da insuficiência mitral, desde que realizada por grupos cirúrgicos experientes, onde haja monitorização por ecocardiografia trans-esofágica per-operatória, entre outros requisitos. Devemos considerar a possibilidade de plastia valvar mitral quando
- A)houver dilatação do anel mitral e falha de coaptação em P2.
Certa: dilatação do anel mitral com falha de coaptação em P2 é um padrão clássico e favorável para plastia valvar.
- B)o folheto anterior perde totalmente sua sustentação pelas cordoalhas.
Errada: perda total da sustentação do folheto anterior sugere lesão complexa e menos previsível para reparo.
- C)o aparato sub-valvar do folheto posterior está totalmente fundido.
Errada: fusão total do aparato subvalvar do folheto posterior indica alteração extensa, ruim para plastia simples.
- D)houver ruptura das cordoalhas em A1 e A2.
Errada: ruptura de cordoalhas em A1 e A2 envolve o folheto anterior e costuma tornar o reparo mais desafiador.
- E)o folheto posterior é calcificado e retraído.
Errada: folheto posterior calcificado e retraído é achado desfavorável para plastia, por pouca mobilidade e baixa qualidade tecidual.
Gabarito: A
A plastia da valva mitral é a preferida sempre que a anatomia da valva permite uma correção duradoura, porque preserva melhor a geometria do ventrículo esquerdo, evita prótese e costuma ter resultados superiores em centros experientes. Em prova, a ideia central é simples: plastia gosta de lesões localizadas, previsíveis e reparáveis, especialmente quando o problema está no folheto posterior e no anel mitral. Quando há dilatação do anel mitral e falha de coaptação em P2, o cirurgião costuma ter uma situação muito favorável para reparo. P2 é a porção central do folheto posterior, e lesões nessa região, associadas a dilatação anular, costumam ser corrigidas com boa chance de sucesso por anuloplastia e técnicas de reconstrução da cúspide. Já cenários com perda total de sustentação do folheto anterior, calcificação importante, retração valvar ou lesões muito complexas do aparato subvalvar tendem a empurrar o caso para troca valvar ou para reparos bem mais difíceis, com menor previsibilidade. A banca costuma explorar exatamente essa lógica: quanto mais organizada e “arrumável” a lesão, mais a plastia entra no jogo. Por isso o item A é o correto. Ele descreve uma anatomia típica de boa reparabilidade na insuficiência mitral, especialmente em doença degenerativa, em que a plastia valvar é o tratamento de escolha quando factível em serviço experiente, com monitorização por ecocardiografia transesofágica intraoperatória.