Em pacientes com insuficiência cardíaca com tratamento clínico otimizado e sem outras comorbidades crônicas agravantes, assinale a opção que descreve aquele que mais se beneficiaria de receber um cardiodesfibrilador implantável para prevenção de morte súbita, considerando o contexto clínico, a classe funcional (CF) da NYHA e a fração de ejeção (FE) do ventrículo esquerdo.
- A)Cardiopatia hipertensiva, CF II da NYHA, FE 60%.
Errada, porque FE de 60% não configura o perfil de alto risco arrítmico típico para CDI em insuficiência cardíaca.
- B)Insuficiência mitral por endocardite em atividade, CF III da NYHA, FE 35%.
Errada, porque endocardite em atividade é um cenário infeccioso/estrutural agudo, não uma indicação clássica de CDI para prevenção de morte súbita.
- C)Infarto agudo do miocárdio há 3 semanas, CF II da NYHA, FE 40%.
Errada, porque infarto há 3 semanas ainda está muito recente para indicação rotineira de CDI em prevenção primária, que exige período de estabilização após o evento.
- D)Miocardiopatia dilatada e história de taquicardia ventricular instável, CF III da NYHA, FE 30%.
Certa, porque há FE reduzida, classe funcional avançada e antecedente de taquicardia ventricular instável, o que favorece fortemente CDI para prevenção de morte súbita.
- E)Taquicardiomiopatia por fibrilação atrial, CF III da NYHA, FE 40%.
Errada, porque taquicardiomiopatia por fibrilação atrial com FE 40% não é o cenário clássico de maior benefício para CDI.
Gabarito: D
O cardiodesfibrilador implantável (CDI) funciona como um “vigia elétrico” do coração: ele não melhora a força de bombeamento, mas reduz o risco de morte súbita por arritmias malignas. Em insuficiência cardíaca, ele costuma ser indicado quando o paciente já está em tratamento clínico otimizado e ainda assim permanece em risco relevante de eventos arrítmicos, especialmente com fração de ejeção reduzida. Na prevenção primária, a regra mais cobrada é: FE do ventrículo esquerdo baixa, em geral menor ou igual a 35%, com sintomas persistentes em NYHA II ou III, após terapia otimizada e com expectativa de sobrevida razoável. Já na prevenção secundária, a lógica fica mais forte ainda: se o paciente já teve taquicardia ventricular sustentada, fibrilação ventricular ou evento arrítmico grave com instabilidade hemodinâmica, o CDI costuma ser a estratégia clássica para evitar nova morte súbita. É exatamente aí que a alternativa D brilha. O paciente tem miocardiopatia dilatada, FE de 30% e história de taquicardia ventricular instável, ou seja, não é só risco teórico: já houve arritmia grave documentada. Isso encaixa muito bem na indicação de CDI para prevenção de morte súbita, especialmente no contexto de insuficiência cardíaca com tratamento clínico otimizado. Como referência doutrinária e de diretrizes, a indicação segue o raciocínio consolidado nas diretrizes de insuficiência cardíaca e de arritmias ventriculares, alinhado ao padrão internacional: FE reduzida, sintomas compatíveis e, principalmente aqui, antecedente de arritmia ventricular grave. A banca gosta desse tipo de questão porque mistura prevenção primária com secundária e tenta fazer você tropeçar em detalhes de tempo, FE e classe funcional.