Assinale a opção que apresenta a abordagem mais adequada para o estado de mal convulsivo pediátrico, de acordo com o último consenso da Sociedade Brasileira de Neurologia.
- A)Realizar inicialmente uma tomografia de crânio com contraste para descartar processo expansivo.
Errada: a tomografia não é a prioridade inicial no estado de mal convulsivo, porque a crise precisa ser interrompida antes da investigação etiológica.
- B)Solicitar uma ressonância magnética cerebral imediatamente para investigar a causa das convulsões.
Errada: a ressonância pode ajudar na investigação, mas não deve ser feita imediatamente em detrimento do controle rápido da convulsão.
- C)Realizar punção lombar para análise do líquor e verificar a presença de infecções que possam estar desencadeando as convulsões.
Errada: a punção lombar só deve ser considerada após estabilização e quando houver indicação clínica, pois não trata a crise aguda.
- D)Iniciar imediatamente anticonvulsivantes de segunda linha, como fenitoína ou fenobarbital, para controlar o estado de mal convulsivo.
Errada: fenitoína e fenobarbital são opções de segunda linha, usadas depois do benzodiazepínico, e não como medida inicial.
- E)Administrar benzodiazepínicos intravenosos, como diazepam ou midazolam, para interromper as convulsões.
Certa: benzodiazepínicos intravenosos são a primeira linha para interromper rapidamente o estado de mal convulsivo pediátrico.
Gabarito: E
No estado de mal convulsivo pediátrico, a prioridade é parar a crise o mais rápido possível. A lógica é simples: primeiro você estabiliza, depois você investiga. Se a convulsão continua, cada minuto conta, porque aumenta o risco de lesão cerebral e de complicações respiratórias e hemodinâmicas. Pelo último consenso da Sociedade Brasileira de Neurologia, a primeira linha são os benzodiazepínicos, como diazepam ou midazolam, especialmente por via intravenosa quando possível. Eles agem rápido e são a melhor medida inicial para interromper a atividade convulsiva em andamento. Se não houver resposta, aí sim entram as medicações de segunda linha, como fenitoína, fenobarbital, levetiracetam ou outras opções do protocolo. Os exames de imagem, como tomografia ou ressonância, e a punção lombar podem ser importantes para descobrir a causa, mas não devem atrasar o tratamento da crise ativa. Em outras palavras: antes de procurar o culpado, você precisa apagar o incêndio. Se houver suspeita de infecção do sistema nervoso central, a investigação vem depois da estabilização, e com cuidado para não perder tempo precioso. Por isso, a alternativa correta é a que indica benzodiazepínicos intravenosos como medida imediata. É a conduta de primeira linha no estado de mal convulsivo pediátrico, em linha com os consensos neurológicos atuais.