Com relação à otite média aguda, assinale a afirmativa incorreta.
- A)O pico de incidência ocorre entre 6 e 18 meses de idade, diminuindo com o crescimento da criança.
Certa: o pico de incidência ocorre mesmo nos primeiros 2 anos, especialmente entre 6 e 18 meses.
- B)São fatores de risco: frequência à creche, tabagismo passivo e uso de chupeta.
Certa: creche, tabagismo passivo e uso de chupeta são fatores de risco clássicos para otite média aguda.
- C)Em cerca de 25% a 40% dos casos não há bactéria na efusão;
Certa: em parte dos casos, a efusão não tem bactéria isolável, então a frase está compatível com a fisiopatologia.
- D)O abaulamento da membrana timpânica é o principal achado da otite média aguda.
Certa: o abaulamento da membrana timpânica é o principal achado otoscópico da otite média aguda.
- E)Recomenda-se a observação nos pacientes com otorreia, quando for possível acompanhá-los por 48 horas.
Errada: a observação por 48 horas é conduta de alguns casos selecionados sem gravidade, mas otorreia sugere quadro que não deve ser tratado apenas com espera.
Gabarito: E
A otite média aguda é uma das infecções mais comuns da infância e costuma aparecer justamente quando a criança ainda tem a tuba auditiva mais curta, mais horizontal e funciona pior para drenar secreções. Por isso, o pico de incidência acontece nos primeiros anos de vida, especialmente entre 6 e 18 meses, e depois vai caindo com o crescimento da criança. Os fatores de risco clássicos incluem creche, tabagismo passivo e uso de chupeta, porque tudo isso favorece infecções de vias aéreas superiores e dificulta a ventilação do ouvido médio. Na prática, o quadro costuma dar dor, febre e, no exame, a membrana timpânica fica abaulada, opaca e pouco móvel. Esse abaulamento é o achado mais importante para pensar em otite média aguda. Um detalhe que costuma cair em prova: nem toda efusão no ouvido médio é bacteriana. Em uma parcela relevante dos casos, a secreção pode não ter bactéria identificável, o que ajuda a entender por que nem sempre o antibiótico resolve ou é necessário em todos os cenários. A FGV gosta muito desse raciocínio clínico mais fino. A alternativa incorreta é a que sugere observar por 48 horas quando houver otorreia. O raciocínio de observação por 48 a 72 horas pode ser usado em alguns casos selecionados de otite média aguda sem gravidade, mas a presença de otorreia indica perfuração timpânica ou drenagem e afasta a simples conduta expectante, favorecendo tratamento ativo. Em outras palavras: se já está saindo secreção pelo ouvido, o caso pede mais atenção, não menos.