Paciente do sexo feminino, 22 anos, procura atendimento na emergência com quadro de cefaleia, febre, vômitos; ao exame físico apresenta rigidez de nuca. Evoluiu com piora do quadro, precisando ser transferida para unidade de terapia intensiva e submetida a entubação oro-traqueal. Resultado do exame do líquor evidenciou a presença de diplococos Gram-negativos na amostra. O antibiótico recomendado para o tratamento é
- A)ciprofloxacina.
Incorreta, porque ciprofloxacina pode ser usada em quimioprofilaxia de contatos em alguns contextos, mas não é a opção padrão para tratar meningite meningocócica grave.
- B)rifampicina.
Incorreta, porque rifampicina é usada principalmente para profilaxia de comunicantes e não como tratamento principal da meningite.
- C)cefalexina.
Incorreta, porque cefalexina é uma cefalosporina de primeira geração, sem papel no tratamento de meningite bacteriana aguda.
- D)ceftriaxone.
Correta, porque a ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração com boa penetração no líquor e cobertura adequada para Neisseria meningitidis.
- E)amoxicilina.
Incorreta, porque amoxicilina não é o antibiótico de escolha para meningite meningocócica e não oferece cobertura adequada nessa emergência.
Gabarito: D
O quadro da questão é bem típico de meningite bacteriana aguda: cefaleia, febre, vômitos, rigidez de nuca e piora rápida do estado geral. O detalhe que fecha o diagnóstico é o líquor com diplococos Gram-negativos, achado clássico de Neisseria meningitidis, o meningococo. Em situação assim, o tratamento precisa ser imediato, porque não dá para esperar o paciente “melhorar sozinho” - meningite bacteriana não costuma dar esse luxo. Nesses casos, o antibiótico de escolha é um cefalosporínico de terceira geração, especialmente a ceftriaxona. Ela tem ótima penetração no líquor quando as meninges estão inflamadas e cobre bem o meningococo. Na prática, é uma das principais armas no manejo inicial da meningite bacteriana comunitária. Além do antibiótico, a conduta costuma incluir suporte intensivo, controle de via aérea quando necessário e, em muitos protocolos, corticoide adjuvante em cenários selecionados. Mas o ponto central da questão é reconhecer o agente e lembrar que o tratamento empírico/dirigido para meningococo passa por ceftriaxona ou cefotaxima. Por isso, o gabarito é a letra D. Cefalexina, amoxicilina, rifampicina e ciprofloxacina não são a escolha padrão para tratar meningite meningocócica nessa situação aguda grave. Aqui, a banca quer ver se você lembra do par clássico: diplococo Gram-negativo no líquor e ceftriaxona na veia.