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Medicina · FGV · 2023

Questão comentada de Medicina

Mulher de 28 anos, que não está grávida, tem queixa de galactorreia espontânea e dosagem sérica da prolactina de 140μg/L. Acerca da hiperprolactinemia, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

A hiperprolactinemia é uma causa clássica de galactorreia e de hipogonadismo hipogonadotrófico. O mecanismo principal é a inibição da secreção de GnRH no hipotálamo, o que derruba LH e FSH e bagunça o eixo reprodutivo. Na prática, quanto maior o bloqueio hormonal, mais costuma aparecer amenorreia, infertilidade e queda da libido, mas a galactorreia nem sempre acompanha a gravidade do hipogonadismo na mesma proporção. E aí entra a pegadinha da questão: quando o hipogonadismo é mais intenso, a incidência de galactorreia tende a ser menor, porque a deficiência estrogênica reduz o estímulo mamário necessário para a saída de leite. Ou seja, a paciente pode estar com prolactina alta e muito sintomática do ponto de vista menstrual, mas sem tanta galactorreia. Em concurso, isso aparece como uma relação inversa entre intensidade do hipogonadismo e frequência de galactorreia. As causas medicamentosas também são muito cobradas. Domperidona e metoclopramida aumentam prolactina, porque bloqueiam a ação dopaminérgica, e a dopamina é o freio fisiológico da prolactina. Já na gestação, a prolactina sobe naturalmente, e em pacientes com prolactinoma isso merece atenção porque o tumor pode crescer durante a gravidez. Por fim, hiperprolactinemia assintomática não é sinônimo de prolactina “verdadeira” elevada: macroprolactinemia deve ser lembrada, inclusive com valores altos. Então, quando a banca mistura número de prolactina com sintomas e exame físico, vale pensar no eixo hipotálamo-hipófise e no efeito do estrogênio antes de sair marcando a primeira alternativa bonita que aparecer.

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